Associação Livre
Arquivo para a Categoria: Pessoal
Escrever para que?
2011 para mim foi um ano de muita escrita. Escrevi muito aqui e escrevi muito para a academia. E a escrita acadêmica tem algo de trabalhoso, como uma escultura que precisa ser trabalhada pelo escultor, que também não sabe muito bem qual será o resultado final.
Sempre me incomodei um pouco com o processo de autoria e o por quê de escrever um texto. Em algum texto meu anterior aqui no blog eu já havia discutido a idéia do porquê escrever. Escrevemos por vários motivos, mas a escrita que mais me movimentou nesse ano foi a singular, ou seja, aquela que teve algo de inédito e particular. Sem esse toque especial, ou seja, sem algo minimamente novo no texto, penso que ele perde um pouco o sentido. Repetir, pra que? Se for por acrescentar pelo menos uma vírgula, ai até posso entender o motivo da escrita. Mas apenas para repetir? Não, obrigada.
E no meio acadêmico, as vezes a escrita parece de um gozo em looping: todo mundo falando das mesmas coisas de maneiras quase parecidas. Vejo revistas (periódicos) em que os artigos parecem sempre falar de uma mesma coisa. Parece que as pessoas precisam ouvir muitas vezes a mesma idéia, dita várias vezes por pessoas diferentes, para acreditar naquilo que é já é realidade na prática, ou melhor, na vida. Teorizar muito pode ter esse problema. E posso dizer que esse é um problema que eu enfrento constantemente na minha escrita. Quantos são os textos e páginas que eu simplesmente jogo fora por achar que são apenas repetições de coisas já ditas. E não adianta tentar me convencer de que “esse é o modo como eu vejo isso, então isso é novo”, porque isso não me convence. É preciso ter algo de novo sim, e que tenha sentido não só para mim. O tempo é muito curto pra perder tempo repetindo. Ficaria mais fácil indicar a leitura e não escrever todo um texto para defender algo que já foi escrito.
Talvez por isso eu esteja escrevendo menos no blog. Porque quando navego pela internet, tenho a sensação de que todo mundo já está dizendo tudo e todos já estão dando as informações e suas opiniões sobre elas. Por outro lado, talvez eu tenha escrito menos também porque certos temas são delicados, as pessoas não estão preparadas para ouvir o âmago da questão sobre determinados assuntos. Escrever desse jeito pode suscitar mais agressividade do que de fato a abertura para um dialogo reflexivo.
Tenho um texto de 2008 que faz muito sucesso. Outro de 2010 que também tem muitos comentários. Mas, tanto tempo depois, ainda recebo comentários e conclusões repetidas de pessoas diferentes,e isso me deixa levemente irritada. Talvez hoje eu entenda melhor a resistência de Lacan em escrever. A fala, a aula, o diálogo nesse sentido é muito mais movimento. E por sempre se dirigir a alguém “concreto”, talvez produza algo de mais genuíno no presente, entre quem fala e quem escuta. Porque esse ouvinte não tem nada de passivo. É uma construção ali, na relação. Já na escrita, o leitor pode ser movimentado, mas não necessariamente o escritor. Vejo tantos textos que parecem ter sido escritos por robôs… Não sei divago… Talvez por estar muito envolvida no trabalho analítico com meus pacientes, percebo a importância da construção em análise. Aquilo que é feito em transferência ali no hora. Que depois não é a mais a mesma coisa. Que fora do setting não tem muito sentido. Acho que estou pensando assim da escrita um pouco. É uma maneira de se pensar, que, obviamente, não é a única. Talvez a escrita esteja mais para o tempo de compreender e momento de concluir.
Talvez eu me incomode também com o lugar da repetição, como conceito analítico, no processo de constituição e implicação subjetiva das pessoas. Bom, mas isso já é tema para outro texto.
O ato violento
Hoje fui abordada por 3 viaturas policiais na rua. Já estava em frente ao prédio do meu consultório. Três carros nos abordaram de forma súbita, já com armas apontadas para dentro do carro, pedindo que saíssemos com as mãos pra cima e encostássemos no carro. Por ser mulher, pediram que eu ficasse de lado e prosseguiram com o procedimento de revista em meu marido que, assustado, não fazia exatamente o que os policias pediam.
Depois dos 5 minutos de estresse geral (da nossa parte e da parte dos policiais), eles nos explicaram o que aconteceu e porque a abordagem: perseguiam dois “marginais” que estavam no mesmo local com o mesmo tipo de carro.
Medo, angústia, terror, humilhação, impotência.
Um evento desses, obra do puro acaso, me fez pensar sobre o desamparo e a sensação de impotência e angústia que ele produz. E não podemos deixar de pensar na realidade das pessoas em que situações como essa não são acasos, já se tornaram parte de uma realidade cotidiana e rotineira. Vocês conseguem imaginar o que é morar em um bairro/favela em que todo dia você passa por situações que te confrontam com sentimentos tão arrebatadores com o medo, a angustia, o terror, a humilhação e a impotência?
De passagem pelo Rio de Janeiro (que, aliás, é minha cidade natal) para um evento, percebi o quanto a violência foi internalizada pelos moradores de lá. Parece que eles já não se assustam mais com os tiros que correm soltos pela noite e muito menos com o cheiro de urina e esgoto que percorre toda a cidade e suas lindas paisagens. E para aqueles que não conseguem acomodar esses afetos na rotina, existe o álcool e a droga para amenizar, anestesiar. Para outros ainda existe o ato violento, como forma ativa de rebeldia contra isso que é avassalador desse dia a dia da ordem do horror.
Mas, voltando ao lugar distante dessa realidade crua (que por vezes é jogada na nossa cara), me pergunto como podemos viver em um jogo de cartas marcadas, sem se deixar afetar por isso que é o horror de uma vida permeada de medo, humilhação, violência. Nos apressamos logo para dar destinos a esse mal estar, com políticas de pão e circo, e até mesmo políticas de saúde para todos, segurança social, contenção de situações de risco… E no final, não enfrentamos o mal estar que existe e permeia nossas relaões sociais. Será que isso é utopia ou possibilidade?
Então por hoje, não vou dar destinos a esse mal estar. Vou apenas falar dele e deixar o efeito produzir algo mais do que apenas um sentido.
Podcast Episódio 08 – Blog Associação livre: Produção de texto na internet
Demorei mas retornei. E volto logo com o audio de uma fala que fiz no curso de Tradução da Universidade Federal de Uberlândia, em que fui gentilmente convidada pela Profa. Cirlana. A temática era a produção de texto, e no meu caso fui convidada para falar sobre a produção de textos para a internet. Espero que gostem de escutar um pouco da história do meu blog e de como acontece a produção das escritas do meu texto.
Links de textos comentados durante o podcast:
- Qual será seu próximo remédio?
- Bin Laden morreu 4000 vezes por segundo no twitter – Informação, opinião e fala vazia
- A formação do Psicanalista
- Simbiose
- Concurso Público
- Todas as crianças são adotadas
- Não vamos transformar a violência em uma discussão e gêneros
Música do Podcast: B.W.O.J. – The D.O.
Contando histórias e criando sentido – Deficiência Visual
A história
Pra quem ainda não sabe, tenho um filho de 12 anos que possui baixa visão. De acordo com os mil exames e mil médicos que já passamos, ele enxerga 0,03 em um olho e 0,05 no outro. Se você é esperto e foi pesquisar, já percebeu que de acordo com a tabela oficial ele é considerado quase cego. Mas os médicos percebem que essa tabela não consegue ser tão precisa como deveria, já que ele tem essa porcentagem ai mas enxerga como uma pessoa que tem baixa visão. Diagnósticos, como sempre, não dão conta da subjetvidade e da singularidade de cada caso, mas esse não é objetivo desse meu texto. Hoje eu vou começar a contar uma história (das mil que vivemos) sobre como é ser mãe de uma criança com baixa visão nesse mundo ai de doido.
Fazer esportes, para quem é cego ou tem baixa visão, é uma coisa complexa. A maioria dos esportes envolvem corridas ou necessitam de uma relação com um objeto/objetivo distante, que obviamente não podem ser vistos por uma pessoa que não enxerga direito. Então, depois de tentar muitos deles (até mesmo os adaptados) nada deu certo para o Gabi. E não é mesmo da personalidade dele gostar de esportes, então ficamos sem opções para as atividades extra-curriculares. Aqui em casa temos uma ligação muito forte com a música e com isso ele desenvolveu interesse no aprendizado do teclado. Mas pagar por um professor particular estava fora das nossas possibilidades, então bora atrás do Conservatório.
Aqui em Uberlândia o Conservatório Municipal oferece muitas aulas de música: diversos instrumentos para diversas idades e de graça. Basta que no final do ano você se inscreva no processo seletivo e seja selecionado. Ao entrar em contato com eles, em setembro no ano passado, descobri que crianças com “necessidades especiais” (detesto esse termo) têm um processo seletivo a parte já que existem vagas específicas voltadas para esse grupo. Entrei no site e quando terminei de preencher as mil lacunas fui direcionada para uma página que me dizia que a data dos “especiais” era diferente e que eu teria que entrar em contato com o Conservatório. Depois de passar a tarde tentando (porque só dava ocupado) uma pessoa me atendeu, me passou pra outra, que me passou para outra que finalmente me disse que eu teria qe fazer tudo de novo porque a data da entrevista deveria ter aparecido depois do meu Enter final e que se não apareceu é porque eu fiz algo de errado. Já era tarde e eu deixei para fazer no dia seguinte.
No dia seguinte fiz a mesma coisa e o mesmo problema aconteceu. Liguei novamente e depois de novos redirecionamentos da ligação, alguém me diz que os dias de entrevistas seriam em novembro e que era só aparecer lá, já que no site estava dando erro. (Custava ter me dito isso da primeira vez?)
Meses depois, finalmente chega o dia da entrevista. Haviam me pedido para levar o laudo comprovando a deficiência e eu prontamente tirei cópia e levei. Durante a entrevista uma professora de surdos me pediu desculpas pois a professora de cegos não estava, mas ia fazer a entrevista por ela. Perguntou com detalhes quais eram as questões do Gabi e que adpatações deveriam ser feitas. Fomos embora com a sensação de que ele passaria.
Em janeiro deste ano recebemos uma ligação confirmando a aprovação e pedindo nossa presença no dia seguinte (sem falta) com os documentos necessários, para a efetivação da matrícula. Nenhuma outra instrução foi dada, apenas que levássemos os documentos. Era onze horas da manhã e eu teria que largar todo meu planejamento do dia para correr atrás dos documentos (já que eu só poderia efetivar a matrícula no dia seguinte). Me perguntei o que faz uma mulher que não pode mudar seu planejmento porque não tem uma agenda de trabalho tranqüila como a minha – ela perde a matrícula ou o dia de trabalho, claro.
No dia seguinte estávamos lá no Conservatório eu, Gabi e os mil documentos. Chegamos as 14:00 e a senhora da recepção não estava mais distribuindo senhas porque tinha muita gente. (Como se isso fosse problema de quem estava indo fazer matrícula). Mas como o Gabi era “especial” poderia entrar e não precisaria ficar na fila. Esta mesma senhora me levou ao local de matrícula junto com um outro senhor cego que também aguardava, sozinho, ser chamado para a matrícula. Enquanto passávamos pela fila senti olhares furiosos nos fuzilando (o Gabi tem deficiência mas não parece ter, então as pessoas não entendem porque não vêem nada de diferente). Esta senhora nos avisou: vocês tem que fazer matrícula com a D., somente com a D.
Cerca de 20 minutos depois alguém me chamou de dentro da sala (entupida de pessoas). Entramos lá e uma moça gentilmente veio fazer a matrícula. Eu avisei que a senhora lá da frente havia me pedido para fazer matrícula somente com a D. Essa D. estava do meu lado e disse que qualquer um poderia efetivar a matrícula. Entreguei os documentos e avisei que o Gabi era DV. Ela entendeu e me pediu novamente os documentos que eu entreguei no dia da entrevista (Perderam? Claro…) e como eu sou preparada, entreguei tudo de novo. Ela fez a matrícula, escolheu os professores e me disse que estava tudo certo, era só comparecer no primeiro dia de aula. Saímos e pude escutar alguém da fila dizendo para o filho: “Tá vendo, precisa ser “especial” pra ser atendido logo…” Ah, e o senhor que estava sozinho ficou lá, sabe-se lá quem iria se lembrar dele e chamar o próximo. E eu já tinha avisado umas três vezes que ele estava aguardando…
Duas semana depois eis que chega o primeiro dia de aula. Ele teria musicalização e depois a aula prática. Já na aula de musicalização, com 5 minutos de aula, a professora sai da sala e me explica que a apostila que ela trabalha não estava dando certo com ele pois ele não estava enxergando (De que adiantou mesmo os relatórios com laudo, a entrevista para saber as adaptações necessárias?). Pediu meu email para que me passasse o conteúdo e assim eu poderia providenciar as adpatações necessárias. (Mas perai, esse negócio do governo não tem que me fornecer o material já adaptado? Tem né, mas a gente sabe que não é isso que acontece, as mães já estão acostumadas a adaptar elas mesmas…) Terminando essa aula, fomos para a prática. A professora do Gabi era a professora de surdos e logo percebeu que haviam feito a matrícula dele errada. Nos levou na sala da professora de cegos e explicou. Esta nova professora, R., prontamente nos encaixou em seu horário e até aproveitou para encaixá-lo numa prática de grupo (só com cegos). Achei o máximo mesmo achando essa nova professora um tanto simpática demais, até mesmo bajuladora demais. E lá fomos para a secretaria passar os novos horários e explicar a confusão.
Chegando na secretaria, R. explicou tudo o que havia acontecido, aumentando mais ainda o grau de simpatia e bajulação (e foi ai que caiu minha ficha – serviço publico nego tem que bajular, elogiar e plantar bananeiras para que o outro faça aquilo que na verdade é sua obrigação) e logo escutou um “não dá, o sistema não deixa. Pq você não avisou que ele era DV na matrícula?“. Juro que minha vontade era de esganar um, mas com minha grande paciência avisei que isso tinha sido feito mas aparentemente o engano havia ocorrido da mesma forma. Depois de me olhar com aquela cara de “você está errada e agora não tem jeito”, virou para o colega e começou a conversar. Oi, e eu? … R. me olha e pede que eu aguarde uma vaga no horário dela. Isso poderia levar 6 meses, até mesmo um ano. Eu olhei bem séria pra ela e disse que não seria possível aguardar e que o Gabriel poderia perfeitamente continuar com a prof. de surdos até ela conseguir uma vaga (até pq eu tinha gostado mais dela mesmo). E assim voltamos para a sala e tocou o sinal. E o Gabriel não teve sua primeira aula.
Trocando em miúdos
Serviço público funciona? Claro que funciona. O problema não é o funcionar ou o não funcionar e sim o COMO funciona. Que o Gabriel terá aulas de teclado isso eu tenho certeza. Agora todo o estresse que se passa para que isso aconteça é que é demais. Imagina aquela pessoa que precisa do serviço público pra tudo na vida? E o pior, você não tem onde reclamar, não tem SAC, não pode sair dando piti dizendo que vai procurar o concorrente…
Agora a reflexão que eu proponho aqui é: adianta sair por ai dizendo que tudo é culpa do governo ou do político corrupto? Claro que muitos desses problemas acabam refletidos no dia-a-dia, mas tudo que eu vi ali foi uma porção de gente fazendo seu trabalho de qualquer jeito, cometendo uma série de erros, um atrás do outro, como se a população tivesse que agüentar pois não paga nada e está recebendo um “favor”. Queridos amigos: o problema é sempre a pessoa, aquela que está ali fazendo seu trabalho de qualquer jeito porque se acha mal paga, coitada, ou sei lá mais o que. Ao invés de lutar por seus direitos, faz o seu trabalho de qualquer jeito e prejudica uma outra pessoa que provavelmente luta pelos mesmos problemas que ela no seu trabalho. Então meu amigo, você que está ai pensando que é um coitado, um ferrado pelo sistema, acorda! Vai pensar em que responsabilidade você tem nisso tudo e nessa cadeia de porcaria que tem se tornado sua vida e a vida de quem depende de você.
Agora em relação as deficiências e o seus “direitos”, continua sendo difícil exigir aquilo que temos direito porque ficamos cansados e, se temos condições, preferimos pagar para não ter tanta dor de cabeça. Se eu fosse exigir o material adaptado, meu filho ficaria pelo menos 30 dias tendo aula sem material. Se eu fosse exigir a professora “correta”, ficaria de seis meses a um ano esperando a vaga. E por ai vai.
Vou viver um pouco mais dessa experiência e depois volto aqui para contar mais.
….
Anexo
Essa sou eu fazendo minha parte: http://www.sitiodainclusao.com.br/
Falarei mais sobre isso em um novo texto logo logo.
Meu Consultório
Depois de muito tempo desejando, finalmente tenho meu próprio consultório. Pra quem não sabe, sou Psicólga e Psicanalista, e estou desde 2005 na luta que todo mundo passa no começo de carreira. Pois então, apresento a vocês agora meu consultório (na verdade só uma parte dele), que fica na Vila Mariana.
Uma mente brilhante
Eu choro toda vez que assisto esse filme. Alias, chega uma hora que não paro mais de me emocionar. É muito bonito ver o trabalho de uma pessoa tentando se livrar de seu sintoma, de suas loucuras.
O filme fala de uma esquizofrenia, mas é possivel fazer um paralelo com o trabalho de análise. Como ele, chegamos num ponto em que sabemos do nosso sintoma, mas simplesmente não conseguimos nos livrar dele. Porque sempre tem algo bom junto. A cena que ele se despede do amigo e da menina e diz: Olha, você foi um grande amigo, mas não vou mais conversar com você. Essa cena mostra o exato momento no qual ele decide não mais se deixar levar pelas coisas boas do seu sintoma. Mas o sintoma não o deixa. Continua com ele ate o fim da vida. E assim é também a análise. O Sintoma nunca nos deixa, fica sempre junto com a gente. O que fazemos e não nos deixar enloquecer por ele.
Uma outra cena, em que ele insistentemente vai para a faculdade, e todos o acham estranho, todos tiram sarro dele. Mas mesmo assim ele persiste. E não é assim com todos nós, quando vamos procurar um psicólogo, as pessoas a nossa volta não entendem, não concordam e acham isso estranho. Mas insistimos para que algo de bom aconteca no final.
Me emociono toda vez que vejo esse filme porque acho bonita a luta dele contra ele mesmo. E isso também é muito bonito de se ver em análise. Brigramos o tempo inteiro com coisas que estão dentro de nós mesmos. E como é dificil essa luta. E como é bonita e recompensante no final.
pensamentos aleatórios
Muitos filmes estão ai pra nos mostrar que uma simples escolha pode mudar todo o rumo de nossas vidas. Uma única escolha pode arruinar ou melhorar um vida. E não só uma vida, mas também as vidas próximas as nossas. Provavelmente esses são os filmes que eu mais gosto. É assim com Vanila Sky, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, The nines, Infidelidade, Pecado Original, entre outros.
Mas além disso, são filmes que falam também da força do amor, de como o amor pode nos salvar de certos erros, ou de como o amor de alguém por nós pode nos salvar das nossas escolhas erradas. E falam também de como a gente pode estragar de vez um amor com nossas escolhas erradas, mas sempre é possivel recomeçar.
O amor tudo perdoa? O amor nos cega e nos deixa inocentes e idiotas, ou nos deixa superior as coisas pequenas?
Acho que pra pensar essas questões, nada melhor do que pensar, por exemplo, nos amor de pai pra filho. A mãe, tudo perdoa? (sim, mesmo quando é dificil, ela é ainda a única que entende, ou tenta entender). A mãe fica cega ou é na verdade superior as coisas que o filho faz? Nenhuma mãe é cega, só finge que não vê. E pelos filhos faz tudo mesmo, tudo que for possivel. Só que nem todas mães e pais são assim. Existem aqueles que naturalmente não colocam os filhos nessa posição de amor incondicional, ou mesmo não os colocam na frente de si mesmos. São aqueles que tem dificuldade em se colocar em segundo plano. Porque pra estes, eles são mais importantes do que qualquer pessoa, em primeiro lugar sempre eles. Provavelmente porque têm uma dificuldade em perceber que não são o centro do mundo (como diria Lacan, não sao o falo nem da mãe e nem de ninguém). Assim, precisam se colocar em primeiro lugar, já que se colocar em segundeo seria como uma humilhação (tipo, nem eu me coloco em primeiro, quem me colocará?)
Dai a gente pode pensar mil coisas sobre esse tipo de pessoa na vida amorosa. Porque se pra essa pessoa se colocar em segundo lugar é intoleravel, ou humilhante, esta pessoa pode sim considerar-se incapaz de perdoar, de enxergar mais adiante, de ser maior do que as pequenas coisas. Esta pessoa achará um absurdo coisas tão menores quando se trata de amor. Esta pessoa não perdoará os minimos erros do outro, porque na verdade não perdoa a si mesmo quando erra. Não admite o erro do outro porque não admite seus proprios erros. Não consegue entender que as pessoas pensam de formas diferentes porque no seu narcisismo não consegue entender que o mundo é maior do que sua cabeça pode aguentar entender.
…
Todos deviam ler o livro O Carrasco do Amor, de Irvin Yalom. Dá pra gente tentar se colocar um pouco no lugar do outro, e ver que uma coisa terrivel, aos olhos de um, não é tão terrivel e totalmente compreensivel aos olhos do outro. E tudo tem um porque, mesmo que a gente não consiga ver. E ninguém é 100% ruim ou 100%. Só porque erra feio de vez em quando não significa que não ter carater, pelo contrário, pode ter, e muito mais do que alguém que tenta parecer ser sempre bom.
DR
Porque a gente fica triste, mas também fica feliz.
Porque quando uma coisa dá errado, outra dá certo.
Porque a gente chora, mas também ri.
Porque a gente erra, mas uma hora acerta.
RIB
Hoje eu fui ao banco e percebi que as pessoas ainda tem o habito de ir ao banco todo mes pagar suas contas. Por que???? Acho que tinha um ano que eu não ia ao banco, pagar conta então, nem me lembro qual foi a última vez.
Com tanta tecnologia, porque as pessoas ainda ficam uma hora meia na fila toda semana pra pagar conta??




