Associação Livre

Arquivo para a Categoria: Deficiência e Inclusão

O fracasso da inclusão

Por Aline Sieiro em 26/09/2012 01:48

Vivemos a época de uma infância marcada por problemas de aprendizagens e de uma sociedade marcada pelo desejo de inclusão. Bom, quanto a isso, posso apenas afirmar que o processo de inclusão, assim como o da educação, está fadado ao fracasso. Porque há sujeito.

Enquanto todos correm para fazer cursos de psicopedagogia ou quaisquer outros cursos que busquem adaptações para os indivíduos, esses mesmo indivíduos se antecipam a criam novos sintomas (novas dificuldades de aprendizagem, rejeições aos objetos facilitadores da tal inclusão, etc). Assim, os doutores na arte da adaptação (em busca de uma “qualidade de vida) ficam loucos e sentam novamente em seus bancos acadêmicos para entender porque tudo isso falha, na esperança de criar novas fórmulas adaptativas e funcionais para esses “errantes”. Chega  a ser uma linda batalha, se não fosse trágica.

Qual erro insistimos em cometer? A psicanálise já repetiu tanto essa resposta… Desde Descartes (e antes) cometemos o mesmo erro: não dar voz ao sujeito. Quantos anos de pesquisas inutilizadas para compreender que o sujeito fala com seu sintoma, com sua recusa a adaptações, com sua dificuldade de aprendizagem? E acho que ao longo dos anos os fracassos ficaram gritantes: esses sujeitos não estão satisfeitos. E no final das contas ninguém está.

“Para a psicanálise, o sujeito está, por principio, implicado em todo ato. Por sinal, como todo aquele que consulta desconhece essa implicação, visa-se no inicio criar condições para que o sujeito se interrogue sobre as causas daqueles episódios que tonto o incomodam” (Lajonquiere). Essa pretensão de alguns educadores e membros da sociedade em achar que podem vir a saber sobre a singularidade subjetiva de uma pessoa (aluno, deficiente, etc) a partir de si mesmo está obviamente fadada ao fracasso!

Charles Melman já falava disso quando escreveu que o primeiro problema quando se fala de educação de crianças é o lugar em que nos colocamos. Cada um de nós recebeu um tipo de educação, e por isso já temos conceitos formados sobre o que é melhor ou não, o que funciona e o que não funciona. Quando trocamos de lugar e passamos ser os responsáveis pela educação de outros, deixamos de lado a criança de hoje, colocando nossas queixas e reinvindicações e fórmulas em primeiro lugar. O mesmo vale para o deficiente, já que a inclusão prevê a criação de diversos mecanismos e aparelhagens para que ele fique menos “prejudicado” e possa seguir “na mesma condição que as outros”. Um ideal impossível esse, seja deficiente ou não. Estar em mesmas condições, quando isso é realidade para qualquer pessoa??

Nesse sentido, a melhor educação é a que fracassa. Melman já dizia isso porque acreditava que toda educação tende a colocar o mesmo ponto de vista em todas as crianças, e tem a pretensão de formar cidadãos iguais. A inclusão repete a mesma bobagem. Partindo do ponto de vista do sujeito da psicanálise, um sujeito único, com direito de escolha, talvez faça mesmo parte da constituição do sujeito viver contra e a favor da educação que recebeu, pelo resto de sua vida. Quando esse sujeito, a sua maneira, fracassa, está de alguma maneira se apresentando como sujeito. Está se recusando a repetir, e nós assistimos aos milhares de sintomas que aparecem todos os dias no âmbito escolar.

“Só podemos concluir que o investimento narcísico na infância, ou a ilusão da criança-esperança, é uma invenção sintomal da modernidade, então, não é casual que a pedagogia hegemônica atual se articule em torno a uma louca exigência, qual seja, demandar à criança que venha de fato a concretizar sem resto nenhum um ideal de completude e bem-estar. Estamos diante de uma fatalidade e, assim sendo, os educadores de hoje estão condenados à lamentação pela suposta ineficácia profissional, uma vez que a educação das crianças não poderia não estar tomada senão por um voto narcísico” (Lajonquiere)

No final das contas, esse discurso social, a partir da educação e da inclusão, sustenta uma proposta que enfatiza a preocupação com a inclusão, mas o que opera é um agrupamento que novamente resulta em crianças e deficientes na posição de objeto. O discurso educacional é pró-inclusão mas o desejo manifesto ainda é de “normalização”, atuando na perspectiva de “curar” algo que falta no desenvolvimento das crianças. Essas práticas normalizantes tratam as pessoas como objetos, e partir de uma norma que é externa a elas. Resultado: fracasso, claro. Aceitar permanecer como objeto no mínimo resulta em certos adoecimentos.

Alguns, como sujeitos, rejeitam. Não aprendem. Não se adaptam. Algo sempre falha. E ao rejeitar aquilo que lhes é oferecido, um mal estar surge e transborda para todos os lado. Certos de que o que oferecem é fundamental para a evolução da criança, os adultos passam a apontar uma série de problemas, como se eles pudessem explicar ou justificar o porquê da recusa. Só não param para pensar que nessa lógica a criança fica em posição de objeto, permanecem alienadas ao desejo do Outro, que dita o lugar que elas devem ocupar, o que devem aceitar e utilizar para se constituir. Se por um lado podem ficar presas nesse lugar de perda ao negar as ofertas de ajuda, ao não aceitar aquilo que lhes é oferecido, esse movimento pode apontar algo de um desejo, de um posicionamento particular em relação ao lugar que lhe é estabelecido dentro da rede de relações sociais e familiares. Ao recusar ocupar esse lugar, algo se desloca dentre de uma lógica em que essa criança está inserida.

Se a recusa acontece pelo desejo de não ocupar um lugar dentro de um grupo (crianças com problemas de aprendizagem, crianças deficientes, etc) e se constituir de forma singular, ou pelo desejo de não aceitar o lugar já estabelecido no âmbito familiar e social, o fato é que já existem muitos lugares fabricados pelo discurso social para essas crianças. A escuta psicanalítica nos permite tomar o fracasso dessas crianças como uma tentativa de implicação subjetiva. Há fracasso porque há sujeito. Então que a inclusão e a educação continuem fracassando.

 

Do século da criança ao século do desamparo

Por Aline Sieiro em 01/09/2011 17:44

Já contei para vocês em um post anterior que eu participei no Conlapsa desse ano. Então agora estou disponibilizando o audio dos trabalhos apresentados na mesa em que participei. A mesa tinha como título “Do século da criança ao século do desamparo”, e era composta por três trabalhos:

1.“Do século da criança ao século do desamparo: problematizações da passagem do século vinte ao vinte e um em Freud, Lacan e Klein”

2.“Que lugar para a criança e o adolescente no século XXI?”

3.“Que lugar para a criança com deficiência visual no discurso social contemporâneo?” – Esse foi o meu trabalho.

O audio abaixo contém a apresentação dos três trabalhos e do pequeno debate que aconteceu no final. Se você só quiser escutar o meu trabalho, pode pular para o minuto 32:30 que é exatamente onde começo. Ou pode entrar lá no link que só tem o audio da minha apresentação, já cortada.

Espero que gostem!

A importância do circuito pulsional na prevenção precoce do autismo

Por Aline Sieiro em 07/05/2011 22:27

Este texto* saiu da minha leitura do livro: “A voz da Sereia: o autismo e os impasses na constituição do sujeito” – Marie-Christine Laznik. Faz parte também do que estará presente na minha dissertação de Mestrado. Lá, investigo como se dá a constituição subjetiva de crianças com deficiência visual congênita.

(*não posso nem chamar de texto, seria mais um corte bem grosseiro, ainda.)

As pessoas sempre ficam buscando os culpados e as causas do autismo, depois que ele já está instalado. Outro dia falaram até mesmo da busca pela explicação genética. Laznik nos mostra que pode até ser possível encontrar causas orgânicas, mas questiona como isso pode mudar alguma coisa depois que a situação já está instalada. E mais, explica que biológico e psíquico não se opõem.

Laznik defende também a impossibilidade de determinar uma possível culpa, ainda que muitas pesquisas e autores sustentem muitas hipóteses que caminhem para esse sentido. Em geral se culpa a mãe, mas essa culpa em nada ajuda a entender e prevenir a instalação de um funcionamento autista.

Não é que uma mãe não vê que seu bebê não a olha, ou que lhe faltou o olhar fundador do Outro primordial. Os filmes familiares mostram o estado de petrificação em que suas mães se encontravam. (…) Um bebê que não responde, que não busca sua mãe, pode fazer com que ela acabe por cuidar dele de forma maquinal, como as enfermeiras em hospital. Hoje diria que certos bebês não se deixam enganar por nenhum apelo carinhoso, como se percebessem, cedo demais, a intrínseca ambivalência de todo amor.

Acredito cada vez menos numa depressão materna como fator central desencadeante do autismo (…) a fragilidade de tal bebê também deve ser levada em conta na desorganização que possa ter suscitado em sua mãe no tempo do pós-parto. A não resposta de um bebê pode desorganizar sua mãe.

A importância da voz já está presente, está em ação meses antes do nascimento propriamente dito. (…) A voz é primeira e comanda o olhar, e não o inverso. (…) Haveria no manhês, empregada por aquele que está em função do Outro primordial, uma dimensão irresistível, que até mesmo um futuro bebê autista não poderia deixar de responder. Isso pode ser algo que determina a alienação radical do pequeno homem ao desejo do Outro.

Do ponto de vista psicanalítico, o autismo pode ser considerado uma tradução clínica da não-instauração de um certo número de estruturas psíquicas que, por sua ausência, só podem acarretar déficits de tipo cognitivo, entre outros. Quando estes déficits se instalam de maneira irreversível, podemos falar de deficiência. Esta deficiência seria então a conseqüência de uma não instauração das estruturas psíquicas, e não o contrário. (…) É ai que podemos intervir, e que podemos falar de uma prevenção possível da instalação de um funcionamento autística. 

Fazer intervenção quer dizer intervir no laço pais-criança. A síndrome autista clássica, segunda Laznik, é uma conseqüência de uma falha no estabelecimento deste laço, sem o qual nenhum sujeito pode advir.

Privilegio a detecção de dois sinais maiores: inicialmente o não-olhar entre bebê e sua mãe, sobretudo se esta mãe não parece se dar conta disso; de outra parte o que eu chamo de fracasso do circuito pulsional completo.

O olhar do Outro primordial como constituitvo do eu e da imagem do corpo: o não olhar entre uma mãe e seu filho, sobretudo se a mãe não se apercebe disso, constitui um dos sinais que permitem pensar, durante os primeiros meses de vida, na hipótese de autismo – as estereotipias e automutilações só aparecem no segundo ano. Se este não-olhar mais tarde não evoluir para uma síndrome autista caracterizada, é sinal, em todo caso, de uma dificuldade maior no nível da relação especular com o outro. Sem uma intervenção nesse momento, o estádio do espelho não e constituirá, ou pelo menos não convenientemente. (…) Lacan (1936) nos fala da importância do estádio do espelho, momento em que a criança se vira para o adulto que a sustenta, que a carrega e pede-lhe confirmação, pelo olhar, do que ele percebe no espelho como uma assunção de uma imagem (…) é essa imagem que vai dar ao bebê seu sentimento de unidade, sua imagem corporal, base de seu relacionamento com os outros, seu semelhantes.

O que vem a se constituir para o bebê mais tarde a vivência do seu corpo, supõe uma articulação complexa entre sua realidade orgânica e o que eu chamo de olhar dos pais. Este olhar não se confunde com visão. Trata-se sobretudo de uma forma particular de investimento libidinal (…) uma ilusão antecipatória onde eles percebem o real orgânico do bebê, aureolado pelo que ai se representa, aí ele poderá advir. Mas o que chamo de olhar é também o que permite à mãe escutar de início nos balbucios do bebê, mensagens significantes que ele fará suas mais tarde. Ver e escutar o que ainda não está para que um dia possa advir.

Mas só o sinal desse não-olhar não basta por si para falar de um possível autismo. Há um segundo sinal, que Laznik chama de a não instauração do circuito pulsional completo. Mas para entender o que é isso, precisamos primeiro entender como funciona o conceito de pulsão para Freud. Pulsão não é necessidade. Para Lacan (1964), o que se refere a pulsão não é do registro do orgânico. Lacan (1964): a pulsão alcançando seu objeto, percebe de algum modo que não é por ai que ela se satisfaz (…), porque nenhum objeto (…) da necessidade pode satisfazer a pulsão (…).

 

Os três tempos pulsionais

Freud descreve o trajeto pulsional em três tempos. (…) Num primeiro tempo, que Freud chama de ativo, o bebê vai em busca do objeto oral (peito, mamadeira) para dele apoderar-se. Ele captura o peito, ela busca e se apossa do peito. Isso é fácil de ser visto por médicos nos exames clínicos.

O segundo tempo do circuito pulsional é também o objeto da atenção particular de um médico atento: ver se o bebê tem uma boa capacidade auto-erótica, se ele é capaz em particular de chupar sua mãe, seu dedo ou então uma chupeta. (…) Chamamos isso de experiência alucinatória de satisfação, intimamente ligada ao auto-erotismo.

O terceiro tempo do circuito pulsional chamamos de satisfação pulsional. Nele, a criança vai se fazer de objeto de um novo sujeito. (…) A criança se assujeita a um outro, que vai se tornar o sujeito da pulsão do bebê. Haveria ai, no nascimento mesmo da questão do sujeito no ser humano a forma radical de uma alienação. E como podemos verificar esse momento, que aliás, é o momento que escapa da avaliação clínica de medicos e muitos profissionais? É o momento em que o bebê coloca seu dedo (do pé ou da mão) na boa da mãe, que vai fingir comê-lo de maneira prazeirosa. Esse jogo que se coloca entre mãe-bebe não pretende saciar uma necessidade orgânica qualquer. É uma passividade aparente do bebê, que, na verdade, busca fisgar o gozo do Outro materno. Ele se faz comer pelo outro, ou seja, ele se faz objeto.

A pulsão não é necessidade (…) a pulsão se satisfaz pelo fato de que este circuito gira e de que cada um dos tempos tornará a passar um infinito número de vezes. Nós só podemos estar certos do caráter verdadeiramente pulsional dos dois primeiros tempos, na medida em que tivermos constatado o terceiro. Isso porque o segundo tempo pode enganar. Acontece de um bebê chupar chupeta ou o próprio dedo, mas não existir nada de auto-erótico nesses movimentos. Só podemos falar de um verdadeiro auto-erotismo se a dimensão de representação do Outro, e mesmo do seu gozo, se inscreveu sob a forma de traço mnêmico no aparelho psíquico da criança.

Nesse momento, pouco importa se a causa da não instauração deste terceiro tempo do circuito pulsional vem da dificuldade constituitva da criança que não procura ativamente o Outro, ou se o problema está na falta de resposta daquele que ocupa o lugar do Outro primordial. Há falhas nos dois casos. E é ai que entra o psicanalista, que pode perceber esse movimento relacional e a partir dai trabalhar com mãe-bebê, para que o circuito pulsional completo se estabeleça.

Podemos intervir no registro psíquico. É o que chamamos de prevenção possível.

Para finalizar, é importante destacar aqui a diferença entre psicose e autismo. Esse terceiro tempo pulsional de encontra sempre presente no bebê que apresentará mais tarde uma psicose infantil. Este bebê se assujeita facilmente a sua mãe (…) o problemático para ela é conhecer o limite deste gozo. (…) O que fracassa é sobretudo (…) a função separadora produzida pela metáfora paterna. (…) Em caso de perigo de evolução autística, não é disto que se trata, mas do fracasso no tempo da própria alienação.

 

Educação Olfativa para Deficientes Visuais

Por Aline Sieiro em 27/04/2011 22:51

Dorina Nowill oferece Curso Gratuito de Avaliação Olfativa para Deficientes Visuais

O Curso Avaliação Olfativa para Deficientes Visuais é uma iniciativa da empresária Tânia Bulhões em parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos.

O objetivo é a capacitação profissional de pessoas cegas e com baixa visão para seleção e avaliação de fragrâncias e sua inclusão no mercado de trabalho. Podem se inscrever jovens, entre 18 e 28 anos, que já concluíram ou estão concluindo o ensino médio, que tenham independência de mobilidade e autonomia para participar das atividades propostas, e que não recebam nenhum tipo de assistência ou benefício do governo que o impeça de ingressar no mercado formal de trabalho.

O curso com 360 horas/aula será realizado em dois módulos. O primeiro, com duração de 1 ano, será dedicado ao ensino teórico e prático sobre os temas relacionados à perfumaria e ao mercado de trabalho. O segundo, com duração de 6 meses, será dedicado ao estágio em empresas para aprimorar as habilidades olfativas do aluno.

Inscrições gratuitas: empregabilidade@fundacaodorina.org.br ou pelo telefone (11) 5087-0959

Início da 1ª turma: agosto 2011
Local das aulas: Rua Doutor Diogo de Faria, nº 558, Vila Clementino – São Paulo (próximo ao Metrô Santa Cruz)

Programa do Curso:

INICIAÇÃO

TEMAS ABORDADOS

Universo do Olfato

  • O Sentido do olfato.
  • Iniciação ao mundo dos odores.
  • Aperfeiçoamento do sentido do olfato.

Perfumaria e linguagem Olfativa

  • Anatomia de um perfume.
  • Conhecimentos básicos e otimizados para o entendimento da linguagem da perfumaria

História da perfumaria e da arte

  • História da perfumaria e sua evolução da antiguidade aos dias de hoje
  • Noções de história da arte entrelaçadas ao universo da perfumaria.

APERFEIÇOAMENTO

TEMAS ABORDADOS

Ingredientes e Perfumes

  • Conhecimento dos ingredientes e seus respectivos grupos.
  • Relação dos ingredientes a conceitos, emoções e estilos.
  • Principais perfumes de cada grupo de ingredientes.

Famílias Olfativas

  • Conhecimento dos principais ingredientes de cada família olfativa.
  • Identificação das as principais criações de cada categoria

Vocabulário Olfativo

  • Principais termos utilizados em perfumaria, matérias primas e suas origens.
  • Construção de imagens através dos odores.

Arte da Perfumaria;

  • Iniciação ao mundo dos odores através de um método lúdico e pedagógico.
  • Conhecimento técnico dos ingredientes da perfumaria e suas funções

Avaliação sensorial

  • Avaliação e linguagem de expressão a respeito dos perfumes.
  • Aspectos sensoriais em relação a texturas e agradabilidade.

ESTAGIO

6 meses nas empresas contratantes

EMPREGABILIDADE

Preparação do deficiente visual para o mercado de trabalho abordando diversos aspectos

ATIVIDADES PARALELAS

Sessão do Filme
“O Perfume” com audiodescrição

  • Contextualizando o período histórico e métodos de extração.
  • Avaliação paralela dos odores que representam os diferentes capítulos do livro.

Visita externa

  • Museu do Perfume:  Espaço Perfume Arte & Historia

Visita externa

  • Viveiro Manequinho Lopes

Visita externa

  • Jardim Botânico

Visita externa

  • Ceasa

Visita externa

  • Mercado Municipal

Serviço:

Curso “Educação Olfativa para Deficientes Visuais”
Inscrições gratuitas:
empregabilidade@fundacaodorina.org.br | (11) 5087-0959
Data das inscrições: 25 de abril a 20 de maio
Divulgação dos selecionados: 10 de junho
Início da 1ª turma: agosto 2011
Local das aulas: Rua Doutor Diogo de Faria, nº 558, Vila Clementino – São Paulo (próximo ao Metrô Santa Cruz)

 

Maiores informações no site: http://www.fundacaodorina.org.br/

PLC 122 e Jean Wyllys

Por Aline Sieiro em 25/04/2011 15:20

Acabei de ler o texto de Jean Wyllys para o Jornal do Brasil. É o tipo de conteúdo que precisamos passar adiante e discutir. A liberdade não deveria ser negociável.

(Fonte: Leandro Fortes, texto completo aqui)

Em primeiro lugar, quero lembrar que nós vivemos em um Estado Democrático de Direito e laico. Para quem não sabe o que isso quer dizer, “Estado laico”, esclareço: O Estado, além de separado da Igreja (de qualquer igreja), não tem paixão religiosa, não se pauta nem deve se pautar por dogmas religiosos nem por interpretações fundamentalistas de textos religiosos (quaisquer textos religiosos). Num Estado Laico e Democrático de Direito, a lei maior é a Constituição Federal (e não a Bíblia, ou o Corão, ou a Torá).

Logo, eu, como representante eleito deste Estado Laico e Democrático de Direito, não me pauto pelo que diz A Carta de Paulo aos Romanos, mas sim pela Carta Magna, ou seja, pelo que está na Constituição Federal. E esta deixa claro, já no Artigo 1º, que um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é a dignidade da pessoa humana e em seu artigo 3º coloca como objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. A república Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos princípios da prevalência dos Direitos Humanos e repúdio ao terrorismo e ao racismo.

Sendo a defesa da Dignidade Humana um princípio soberano da Constituição Federal e norte de todo ordenamento jurídico Brasileiro, ela deve ser tutelada pelo Estado e servir de limite à liberdade de expressão. Ou seja, o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais.

Seus discursos de ódio têm servido de pano de fundo para brutais assassinatos de homossexuais, numa proporção assustadora de 200 por ano, segundo dados levantados pelo Grupo Gay da Bahia e da Anistia Internacional. Incitar o ódio contra os homossexuais faz, do incitador, um cúmplice dos brutais assassinatos de gays e lésbicas, como o que ocorreu recentemente em Goiânia, em que a adolescente Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, que, segundo a mídia, foi brutalmente assassinada por parentes de sua namorada pelo fato de ser lésbica. Ou como o que ocorreu no Rio de Janeiro, em que o adolescente Alexandre Ivo, que foi enforcado, torturado e morto aos 14 anos por ser afeminado.

O PLC 122 , apesar de toda campanha para deturpá-lo junto à opinião pública, é um projeto que busca assegurar para os homossexuais os direitos à dignidade humana e à vida. O PLC 122 não atenta contra a liberdade de expressão de quem quer que seja, apenas assegura a dignidade da pessoa humana de homossexuais, o que necessariamente põe limite aos abusos de liberdade de expressão que fanáticos e fundamentalistas vêm praticando em sua cruzada contra LGBTs.

Assim como o trecho da Carta de Paulo aos Romanos que diz que o “homossexualismo é uma aberração” [sic] são os trechos da Bíblia em apologia à escravidão e à venda de pessoas (Levítico 25:44-46 – “E, quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas…”), e apedrejamento de mulheres adúlteras (Levítico 20:27 – “O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles…”) e violência em geral (Deuteronômio 20:13:14 – “E o SENHOR, teu Deus, a dará na tua mão; e todo varão que houver nela passarás ao fio da espada, salvo as mulheres, e as crianças, e os animais; e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o SENHOR, teu Deus…”).

A leitura da Bíblia deve ensejar uma religiosidade sadia e tolerante, livre de fundamentalismos. Ou seja, se não pratica a escravidão e o assassinato de adúlteras como recomenda a Bíblia, então não tem por que perseguir e ofender os homossexuais só por que há nela um trecho que os fundamentalistas interpretam como aval para sua homofobia odiosa.

Não declarei guerra aos cristãos. Declarei meu amor à vida dos injustiçados e oprimidos e ao outro. Se essa postura é interpretada como declaração de guerra aos cristãos, eu já não sei mais o que é o cristianismo. O cristianismo no qual fui formado – e do qual minha mãe, irmãos e muitos amigos fazem parte – valoriza a vida humana, prega o respeito aos diferentes e se dedica à proteção dos fracos e oprimidos. “Eu vim para que TODOS tenham vida; que TODOS tenham vida plenamente”, disse Jesus de Nazaré.

Não, eu não persigo cristãos. Essa é a injúria mais odiosa que se pode fazer em relação à minha atuação parlamentar. Mas os fundamentalistas e fanáticos cristãos vêm perseguindo sistematicamente os adeptos da Umbanda e do Candomblé, inclusive com invasões de terreiros e violências físicas contra lalorixás e babalorixás como denunciaram várias matérias de jornais: é o caso do ataque, por quatro integrantes de uma igreja evangélica, a um centro de Umbanda no Catete, no Rio de Janeiro; ou o de Bernadete Souza Ferreira dos Santos, Ialorixá e líder comunitária, que foi alvo de tortura, em Ilhéus, ao ser arrastada pelo cabelo e colocada em cima de um formigueiro por policiais evangélicos que pretendiam “exorcizá-la” do “demônio”.

O que se tem a dizer? Ou será que a liberdade de crença é um direito só dos cristãos?

Talvez não se saiba, mas quem garantiu, na Constituição Federal, o direito à liberdade de crença foi um ateu Obá de Xangô do Ilê Axé Opô Aforjá, Jorge Amado. Entretanto, fundamentalistas cristãos querem fazer uso dessa liberdade para perseguir religiões minoritárias e ateus.

Repito: eu não declarei guerra aos cristãos. Coloco-me contra o fanatismo e o fundamentalismo religioso – fanatismo que está presente inclusive na carta deixada pelo assassino das 13 crianças em Realengo, no Rio de Janeiro.

Reitero que não vou deixar que inimigos do Estado Democrático de Direito tente destruir minha imagem com injúrias como as que fazem parte da matéria enviada para o Jornal do Brasil. Trata-se de uma ação orquestrada para me impedir de contribuir para uma sociedade justa e solidária. Reitero que injúria e difamação são crimes previstos no Código Penal. Eu declaro amor à vida, ao bem de todos sem preconceito de cor, raça, sexo, idade e quaisquer outras formas de preconceito. Essa é a minha missão.

Jean Wyllys (Deputado Federal pelo PSOL Rio de Janeiro)


 

Cresce inclusão de estudantes com deficiência em sala comum

Por Aline Sieiro em 17/04/2011 23:18

Nos últimos dez anos, o número de alunos com deficiência matriculados em turmas regulares de escolas públicas aumentou 493%. Em 2000, eram 81.695 estudantes; em 2010, 484.332 ingressaram em classes comuns. 

Os dados do Censo Escolar são comemorados pela secretária de Educação Especial do Ministério da Educação, Cláudia Dutra. Segundo ela, os dados positivos são resultado de uma política de inclusão que começou a ser discutida com a sociedade e sistemas de ensino em 2003. “Esta é uma conquista que representa um amplo processo de mobilização educacional”, observa. 

A secretária explica que, a partir da implementação dessa política, o foco passa a ser a acessibilidade e não a deficiência do estudante. “Antes, acreditava-se que o estudante com deficiência não tinha condições de estudar e que esta falta de condição estaria nele, quando na verdade pouco havia sido feito para eliminar as barreiras de acesso ao aprendizado dessas pessoas”, afirma. 

De acordo com a secretária, outro marco para a educação especial ocorreu em 2008, quando foi dobrado o valor investido por aluno com deficiência no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Em 2010, foram investidos R$ 317 milhões em ações que vão desde o incentivo à implementação de salas multifuncionais e obras de acessibilidade até formação de professores para atuar com alunos com deficiência.    

A secretária destaca que, a partir do projeto pedagógico, é importante que o aluno com deficiência frequente a classe comum, e no turno oposto tenha um atendimento na sala de recursos multifuncionais. Para estimular essa política nas redes estaduais e municipais de educação, o MEC financiou a implantação de 24.301 salas de recursos multifuncionais, em 83% dos municípios e 42% das escolas públicas, no período de 2005 a 2010. 

As redes locais que queiram instalar as salas multifuncionais podem fazer o pedido no Plano de Ação Articulada (PAR). Já as escolas interessadas em melhorar a acessibilidade devem solicitar os recursos por meio do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE Escola). Os recursos são repassados direto para a escola. 

Outra iniciativa considerada importante é a formação de professores. Em 2010, 68.117 professores receberam formação para atuar em educação especial em cursos financiados pelo MEC. 

Assessoria de Comunicação Social

Fonte: MEC

Todas as crianças são adotadas

Por Aline Sieiro em 17/02/2011 13:21

Ao contrário do que a nossa sociedade vende, o amor de mãe não é natural. O amor de mãe não é um ato mágico que acontece durante a gravidez e/ou no parto do bebê. Esse amor, como qualquer outro, é cultivado e construído. É bom que possamos conversar um pouco sobre isso porque esse mito do amor materno pode dificultar muito a vida de centenas de mãe que não vivem essa história de conto de fadas. Muitas sofrem em silêncio por se sentirem excluídas dessa fantasia, pois não sentem que a “mágica” aconteceu com elas.

São tantas coisas que podem dar errado nesse começo do relacionamento entre uma mãe e seu bebê que incentivar essa culpa não ajuda em nada, só atrapalha esse momento inicial da maternagem. Vamos falar um pouco sobre esses mitos socialmente construídos.

Mito 1

A mãe tem nove meses para aprender a amar o seu filho. Assim, quando ele nasce, o amor já aconteceu. O pai tem que começar do zero.

Discussão

Durante os nove meses de gravidez a mãe não aprende a amar o seu filho, até porque ela ainda não o conhece. Tudo o que ela faz e aprende a fazer é construir uma imagem e uma fantasia do que será aquele bebê quando nascer. Quando consegue fazer isso (e nesse ponto o pai também já pode participar do mesmo processo), a mãe vai imaginando, se deixando fantasiar sobre como será essa criança. Então o que a mãe passa a amar, durante a gravidez, é uma imagem fantasiosa de um bebê que vai nascer e não o que de fato o bebê será. Isso é bom? Claro que é bom, porque a criança que nasce precisa disso que chamamos de subjetivação, ela precisa dessa atenção voltada pra ela, ainda que seja imaginarizada e fantasiada.

Dificuldades

Nem todas as mães conseguem viver a gravidez dessa forma. Algumas passam por grandes dificuldades na criação das fantasias sobre o bebê que elas nunca viram concretamente. Podemos perceber, por exemplo, algumas mães que têm facilidade em falar com a barriga, enquanto outras acham isso um pouco desconfortável, estranho. Outras mães sentem a gravidez como um processo invasivo, como se seu corpo não respondesse mais as suas ordens. Sentem muitas dores, muitos desconfortos que acabam não deixando espaço para que elas sintam algum prazer.

Conclusão

Se a mãe tem nove meses para aprender a amar o filho, o pai também têm. Mas esse filho que eles estão aprendendo a amar ainda é só uma construção, uma fantasia em relação ao bebê que ainda vai nascer. Isso não é ruim, mas não resolve a questão do amor materno como um movimento natural.

Mito 2

Assim que o bebê nasce, após o parto, o amor entre eles é automático. Basta a primeira troca de olhares e a mãe já ama seu bebê e o bebe já sabe que poderá contar com aquele amor pra sempre.

Discussão e Dificuldades

Se no mito anterior percebemos que o amor (quando é) construido durante a gravidez é para um bebê imaginário, será que esse amor se transfere para o bebê real automáticamente após o parto? Pode ser que sim, mas nem sempre. Muitas mães que tiveram o parto em boas condições conseguem olhar para o bebê que nasceu e enxergar tudo aquilo que elas sonharam durante a gestação. Ao longo dos primeiros meses, essas mães enfretarão as dificuldades do dia a dia, mas conseguirão olhar para seu bebê e energar tudo aquilo que sonharam para ele.

Mas para muitas não acontece dessa forma. Com as dores e os medos do parto, com as dificuldades iniciais nos cuidados em relação ao bebê, a maioria das mães não consegue transferir a imagem que tinham do seu bebê, durante a gravidez, para o bebê que nasceu. Envergonhadas e tristes, não encontram espaço para conversar sobre isso e podem se tornar até um pouco mecanicistas em seu contato com a criança, pois sabem quais são suas obrigações mas não conseguem sentir “o que deveriam sentir”. Aqui podem acontecer as depressões pós-parto (que são mais comuns do que imaginamos), as mortes de bebês e até mesmo a instalação de uma série de problemas e doenças no bebê (como o austismo).

Conclusão

O amor materno imediatamente após o parto não é automático. Ele pode acontecer de forma mais rápida e fácil para algumas mulheres, mas para muitas é um processo de construção assim como qualquer outro relacionamento. É a partir dali que a mãe vai começar a conhecer o seu bebê e pode ter ou não facilidade para subjetivar aquele ser que ela acabou de colocar no mundo. Crianças que nascem com deficiência, por exemplo, costumam trazer muitas dificuldades iniciais para essa construção do amor materno, já que os pais se vêem numa situação em que a criança não é aquilo que eles imaginaram e sonharam que seria. (Mas conversaremos sobre essa particularidade em outro texto).

Existem muitos mitos em relação a gravidez e a maternidade. Mas com esses dois podemos iniciar um dialógo sobre esse processo. Por que não existe um grávida correta. Cada mulher vive sua gravidez de forma peculiar e esse mito da gravidez perfeita só atrapalha as mães que vivem sua gravidez de outras maneiras. O mesm acontece com o amor materno. Ele pode ser construído de diversas maneiras, e seja qual fora, a única certeza que temos é que ele não é natural. Assim, podemos dizer que todas as crianças são adotadas, pois todas elas passarão pelo processo de construção e criação do seu lugar na família indepentente de terem sido concebidas biologicamente por eles ou por outros. O parto não garante amor e facilidades, isso é uma ilusão que construímos. (Falaremos disso em outro texto também.)

Falar desse assunto é delicado porque essa fantasia que se criou sobre o amor materno é tão forte que parece impossível ser desconstruída. Se fosse possível falar sobre o tema com mais franqueza e seriedade, muitas mães poderiam ter uma ajuda mais precisa e não sofreriam de uma série de problemas como a depressão pós parto. E as crianças, por sua vez, poderiam desenvolver menos doenças como o autismo e outras com falhas na inserção da linguagem. Mas o medo de admitir que essa construção na maternidade passa por dificuldades acaba por incentivar o silêncio e a falta de incentivo para mudanças e investimentos nessa área.

São pequenas coisas que podemos fazer e mudar, como acompanhamento psicológico obrigatório para a mãe durante o pré-natal (junto com a ida ao obstetra, por exemplo) e durante as primeiras idas ao pediatra. Durante esse momentos, a preocupação da saúde pública ainda parece estar apenas no corpo, no desenvolvimento biológico satisfatório. Sabemos o quanto é importante também a saúde psíquica, e um movimento de inserção da psicologia nesses setores e nesses momentos cruciais da relação mãe-bebe poderia fazer uma grande diferença na hora de atuar nos grandes problemas que assistimos acontecer. Mães que conseguem esse tipo de acompanhamento, por exemplo, relatam como conseguiram passar por dificuldades de forma menos dolorosa e solitária.

Para saber mais

Um amor conquistado: o mito do amor materno, ElisabethBadinter

A construção do amor materno na relação mãe-bebê: reflexões a partir da psicanálise, Cléa M. B. Lopes

O complexo da mãe morta: sobre os transtorno do amor na relação mãe-bebê, Issa Damous

A criança, sua doença e a mãe: um estudo sobre a função materna na constituição de sujeitos precocemente atingidos por doença ou deficiência, Leyla A. V. Falsetti

Amar, cuidar, subjetivar – implicações educacionais na primeira infância, Valéria R. Baptista

Sexualidade e Deficiência Mental

Por Aline Sieiro em 07/02/2011 19:38

Outro dia eu estava na piscina de crianças do clube mais cheio de firulas de Uberlândia. Junto comigo estava a mãe de um amiguinho do meu filho. Olhávamos as crianças enquanto tomávamos sol. Eis que surge na água um rapaz de aproximadamente 17- 18 anos com a mão dentro do calção de banho, sorrindo e se masturbando enquanto olhava para a mãe do amiguinho do meu filho. Ela estava visivelmente constrangida mas fingindo que nada estava acontecendo. Fui reparar um pouco mais no rapaz, e percebi que ele era deficiente mental. Não demorou muito e seu pai apareceu e o arrastou pelo braço (arrastou mesmo). Depois de algum tempo eles foram embora. A mãe do meu lado nada comentou sobre o assunto, como se nada tivesse acontecido.

Alguns anos atrás eu estava num clube de Águas de Lindóia, numa temporada de férias. Observei um rapaz com seus 15-16 anos na piscina, que fazia a mesma coisa mas parecia muito incomodado com sua situação. Então se dirigia para uma cascata de água gelada (muito gelada) e lá abria o calção deixando a água entrar. Seu desespero era visível. Depois de muito tempo por lá ele voltava para conversar com as pessoas (que não o conheciam). Seus pais não estavam em lugar visível. Mais tarde percebi que os pais o largavam na piscina de manhã e só apareciam no final da tarde pra buscar. Todas as pessoas na piscina ficavam visivelmente incomodadas e comentavam entre si o absurdo que era o menino ficar solto por ali o dia todo, pois ele não tinha culpa de ser deficiente mental mas a família tinha obrigação de ser responsável.

Contei essas duas histórias porque elas tem muita coisa em comum. Vamos começar falando um pouco da questão sexual e como acontece essa experiência da sexualidade para o deficiente mental. Vocês já devem ter percebido que a sexualidade dos jovens nessa idade é muito aflorada e com esses meninos não seria diferente. O que é difícil para eles é que a idade mental não condiz com a idade biológica, portanto eles tem dificuldade em entender o que estão passando e vivendo, como lidar com as transformações do corpo. Além disso, pais e professores tem receio de tocar nesse assunto com eles, temendo que eles não tenham maturidade suficiente para entender certos diálogos, mesmo que eles sejam necessários. Assim, eles agem como uma criança no corpo de gente grande pois não têm a maldade e o entendimento que nós – que assistimos a tudo isso – temos. E como podemos perceber nesses dois casos, um deles é arrastado da situação enquanto o outro é ignorado. Esse outro ainda parece ter sido ensinado alguma coisa e por isso parecia se desesperar deixando o pênis na água gelada para que ele não ficasse mais ereto.

Apesar de não ter a idade mental compatível com a biológica eles conseguem entender muitas coisas. Por isso conversas são fundamentais para explicar o que eles sentem e como podem reagir a esses sentimentos. Mas para muitos pais já e difícil conversar sobre sexualidade com os filhos “normais”, imagina então conversar sobre sexualiade com os deficientes mentais, que exigem uma dose muito maior de termos concretos na fala? Certos diálogos abstratos e subentendidos funcionam com jovens sem deficiência, mas com os DM é necessários dizer tudo que precisa ser dito com todas as letras e isso pode ser muito difícil para pais e educadores. Assim como a mãe ao meu lado fez, as pessoas tendem a ignorar e fingir que não estao vendo nada, e os meninos continuam tendo as mesmas atitudes entendendo menos ainda.

Agora vamos falar dos pais de jovens e crianças deficientes. Porque esses pais passam por essa e muitas outras dificuldades com seus filhos e outras pessoas que estão em volta tendem a ter atitudes críticas e julgadoras, ora por ignorar, ora por permitir que situações como essa aconteçam em qualquer lugar. Essas mesmas pessoas têm dificuldade de entender como é a vida de um pai com filho DM. Em geral esses pais são muito dedicados e focados nos filhos (seja porque gostam, seja porque não tiveram outra escolha). É de conhecimento geral que essas crianças exigem atenção extra e cuidados e com isso é possível que os pais se tornem cansados, frustrados e estressados com tanta carga de responsabilidade nas costas.

Pregamos muito sobre diversidade e inclusão mas para que tudo isso aconteça ainda é necessário muita tolerância e empatia. Eu costumo brincar que só inclui mesmo quem tem alguém da família que é deficiente (e olhe lá!). Mas será que só é possível entender o outro se vivenciarmos a mesma experiência?

Se você é daqueles que acha que os direitos dos deficientes são certos, mas ele lá e você aqui, então é hora de você começar a trabalhar a sua tolerância.

E você ai, pai ou parente de uma criança com DM, saiba que hoje em dia existe um vasto material sobre Sexualidade e Deficiência: livros, filmes e materiais de apoio. É possível encontrar também muitos grupos de apoio a pais e familiares de pessoas com deficiências. Se você está passando por alguma dessas situações procure informações a respeito. É possível que você possa encontrar ajuda para você e seu filho.

Contando histórias e criando sentido – Deficiência Visual

Por Aline Sieiro em 06/02/2011 23:33

A história

Pra quem ainda não sabe, tenho um filho de 12 anos que possui baixa visão. De acordo com os mil exames e mil médicos que já passamos, ele enxerga 0,03 em um olho e 0,05 no outro. Se você é esperto e foi pesquisar, já percebeu que de acordo com a tabela oficial ele é considerado quase cego. Mas os médicos percebem que essa tabela não consegue ser tão precisa como deveria, já que ele tem essa porcentagem ai mas enxerga como uma pessoa que tem baixa visão. Diagnósticos, como sempre, não dão conta da subjetvidade e da singularidade de cada caso, mas esse não é objetivo desse meu texto. Hoje eu vou começar a contar uma história (das mil que vivemos) sobre como é ser mãe de uma criança com baixa visão nesse mundo ai de doido.

Fazer esportes, para quem é cego ou tem baixa visão, é uma coisa complexa. A maioria dos esportes envolvem corridas ou necessitam de uma relação com um objeto/objetivo distante, que obviamente não podem ser vistos por uma pessoa que não enxerga direito. Então, depois de tentar muitos deles (até mesmo os adaptados) nada deu certo para o Gabi. E não é mesmo da personalidade dele gostar de esportes, então ficamos sem opções para as atividades extra-curriculares. Aqui em casa temos uma ligação muito forte com a música e com isso ele desenvolveu interesse no aprendizado do teclado. Mas pagar por um professor particular estava fora das nossas possibilidades, então bora atrás do Conservatório.

Aqui em Uberlândia o Conservatório Municipal oferece muitas aulas de música: diversos instrumentos para diversas idades e de graça. Basta que no final do ano você se inscreva no processo seletivo e seja selecionado. Ao entrar em contato com eles, em setembro no ano passado, descobri que crianças com “necessidades especiais” (detesto esse termo) têm um processo seletivo a parte já que existem vagas específicas voltadas para esse grupo. Entrei no site e quando terminei de preencher as mil lacunas fui direcionada para uma página que me dizia que a data dos “especiais” era diferente e que eu teria que entrar em contato com o Conservatório. Depois de passar a tarde tentando (porque só dava ocupado) uma pessoa me atendeu, me passou pra outra, que me passou para outra que finalmente me disse que eu teria qe fazer tudo de novo porque a data da entrevista deveria ter aparecido depois do meu Enter final e que se não apareceu é porque eu fiz algo de errado. Já era tarde e eu deixei para fazer no dia seguinte.

No dia seguinte fiz a mesma coisa e o mesmo problema aconteceu. Liguei novamente e depois de novos redirecionamentos da ligação, alguém me diz que os dias de entrevistas seriam em novembro e que era só aparecer lá, já que no site estava dando erro. (Custava ter me dito isso da primeira vez?)

Meses depois, finalmente chega o dia da entrevista. Haviam me pedido para levar o laudo comprovando a deficiência e eu prontamente tirei cópia e levei. Durante a entrevista uma professora de surdos me pediu desculpas pois a professora de cegos não estava, mas ia fazer a entrevista por ela. Perguntou com detalhes quais eram as questões do Gabi e que adpatações deveriam ser feitas. Fomos embora com a sensação de que ele passaria.

Em janeiro deste ano recebemos uma ligação confirmando a aprovação e pedindo nossa presença no dia seguinte (sem falta) com os documentos necessários, para a efetivação da matrícula.  Nenhuma outra instrução foi dada, apenas que levássemos os documentos. Era onze horas da manhã e eu teria que largar todo meu planejamento do dia para correr atrás dos documentos (já que eu só poderia efetivar a matrícula no dia seguinte). Me perguntei o que faz uma mulher que não pode mudar seu planejmento porque não tem uma agenda de trabalho tranqüila como a minha – ela perde a matrícula ou o dia de trabalho, claro.

No dia seguinte estávamos lá no Conservatório eu, Gabi e os mil documentos. Chegamos as 14:00 e a senhora da recepção não estava mais distribuindo senhas porque tinha muita gente. (Como se isso fosse problema de quem estava indo fazer matrícula). Mas como o Gabi era “especial” poderia entrar e não precisaria ficar na fila. Esta mesma senhora me levou ao local de matrícula junto com um outro senhor cego que também aguardava, sozinho, ser chamado para a matrícula. Enquanto passávamos pela fila senti olhares furiosos nos fuzilando (o Gabi tem deficiência mas não parece ter, então as pessoas não entendem porque não vêem nada de diferente). Esta senhora nos avisou: vocês tem que fazer matrícula com a D., somente com a D.

Cerca de 20 minutos depois alguém me chamou de dentro da sala (entupida de pessoas). Entramos lá e uma moça gentilmente veio fazer a matrícula. Eu avisei que a senhora lá da frente havia me pedido para fazer matrícula somente com a D. Essa D. estava do meu lado e disse que qualquer um poderia efetivar a matrícula. Entreguei os documentos e avisei que o Gabi era DV. Ela entendeu e me pediu novamente os documentos que eu entreguei no dia da entrevista (Perderam? Claro…) e como eu sou preparada, entreguei tudo de novo. Ela fez a matrícula, escolheu os professores e me disse que estava tudo certo, era só comparecer no primeiro dia de aula. Saímos e pude escutar alguém da fila dizendo para o filho: “Tá vendo, precisa ser “especial” pra ser atendido logo…” Ah, e o senhor que estava sozinho ficou lá, sabe-se lá quem iria se lembrar dele e chamar o próximo. E eu já tinha avisado umas três vezes que ele estava aguardando…

Duas semana depois eis que chega o primeiro dia de aula. Ele teria musicalização e depois a aula prática. Já na aula de musicalização, com 5 minutos de aula, a professora sai da sala e me explica que a apostila que ela trabalha não estava dando certo com ele pois ele não estava enxergando (De que adiantou mesmo os relatórios com laudo, a entrevista para saber as adaptações necessárias?). Pediu meu email para que me passasse o conteúdo e assim eu poderia providenciar as adpatações necessárias. (Mas perai, esse negócio do governo não tem que me fornecer o material já adaptado? Tem né, mas a gente sabe que não é isso que acontece, as mães já estão acostumadas a adaptar elas mesmas…) Terminando essa aula, fomos para a prática. A professora do Gabi era a professora de surdos e logo percebeu que haviam feito a matrícula dele errada. Nos levou na sala da professora de cegos e explicou. Esta nova professora, R., prontamente nos encaixou em seu horário e até aproveitou para encaixá-lo numa prática de grupo (só com cegos). Achei o máximo mesmo achando essa nova professora um tanto simpática demais, até mesmo bajuladora demais. E lá fomos para a secretaria passar os novos horários e explicar a confusão.

Chegando na secretaria, R. explicou tudo o que havia acontecido, aumentando mais ainda o grau de simpatia e bajulação (e foi ai que caiu minha ficha – serviço publico nego tem que bajular, elogiar e plantar bananeiras para que o outro faça aquilo que na verdade é sua obrigação) e logo escutou um “não dá, o sistema não deixa. Pq você não avisou que ele era DV na matrícula?“. Juro que minha vontade era de esganar um, mas com minha grande paciência avisei que isso tinha sido feito mas aparentemente o engano havia ocorrido da mesma forma. Depois de me olhar com aquela cara de “você está errada e agora não tem jeito”, virou para o colega e começou a conversar. Oi, e eu? … R. me olha e pede que eu aguarde uma vaga no horário dela. Isso poderia levar 6 meses, até mesmo um ano. Eu olhei bem séria pra ela e disse que não seria possível aguardar e que o Gabriel poderia perfeitamente continuar com a prof. de surdos até ela conseguir uma vaga (até pq eu tinha gostado mais dela mesmo). E assim voltamos para a sala e tocou o sinal. E o Gabriel não teve sua primeira aula.

Trocando em miúdos

Serviço público funciona? Claro que funciona. O problema não é o funcionar ou o não funcionar e sim o COMO funciona. Que o Gabriel terá aulas de teclado isso eu tenho certeza. Agora todo o estresse que se passa para que isso aconteça é que é demais. Imagina aquela pessoa que precisa do serviço público pra tudo na vida? E o pior, você não tem onde reclamar, não tem SAC, não pode sair dando piti dizendo que vai procurar o concorrente…

Agora a reflexão que eu proponho aqui é: adianta sair por ai dizendo que tudo é culpa do governo ou do político corrupto? Claro que muitos desses problemas acabam refletidos no dia-a-dia, mas tudo que eu vi ali foi uma porção de gente fazendo seu trabalho de qualquer jeito, cometendo uma série de erros, um atrás do outro, como se a população tivesse que agüentar pois não paga nada e está recebendo um “favor”. Queridos amigos: o problema é sempre a pessoa, aquela que está ali fazendo seu trabalho de qualquer jeito porque se acha mal paga, coitada, ou sei lá mais o que. Ao invés de lutar por seus direitos, faz o seu trabalho de qualquer jeito e prejudica uma outra pessoa que provavelmente luta pelos mesmos problemas que ela no seu trabalho. Então meu amigo, você que está ai pensando que é um coitado, um ferrado pelo sistema, acorda! Vai pensar em que responsabilidade você tem nisso tudo e nessa cadeia de porcaria que tem se tornado sua vida e a vida de quem depende de você.

Agora em relação as deficiências e o seus “direitos”, continua sendo difícil exigir aquilo que temos direito porque ficamos cansados e, se temos condições, preferimos pagar para não ter tanta dor de cabeça. Se eu fosse exigir o material adaptado, meu filho ficaria pelo menos 30 dias tendo aula sem material. Se eu fosse exigir a professora “correta”, ficaria de seis meses a um ano esperando a vaga. E por ai vai.

Vou viver um pouco mais dessa experiência e depois volto aqui para contar mais.

….

Anexo

Essa sou eu fazendo minha parte: http://www.sitiodainclusao.com.br/

Falarei mais sobre isso em um novo texto logo logo.

Filmes que tratam de deficiência

Por Aline Sieiro em 29/11/2010 23:59

Sugestões de filmes e documentários com temáticas da Educação Especial e da Inclusão.*

As atividades com filmes tem sido uma das estratégias utilizadas em cursos de formação profissional, assim como um meio de sensibilizar as pessoas quanto a questões voltadas para a deficiência e a inclusão. Neste sentido, estamos disponibilizando uma lista de filmes com uma pequena sinopse como sugestão. Não deixe de sugerir a amigos e profissionais da área, assim estaremos ajudando, de alguma forma, a sensibilizar as pessoas quanto a questões voltadas para temas ligados à diferença/diversidade humana.

Nos ajude a aumentar essa lista com novas sugestões.

1. Aforçadeumcampeão-umjovemdeumafamíliaproblemáticaqueencontroua força interior para se tornar um campeão.

2. A filha da luz – associação entre autismo de uma criança de seis anos com poderes extraordinários gera o seu envolvimento com uma seita religiosa.

3. A história de Carrie Buck – garota com deficiência mental fica grávida e é indicada pela instituição para ser esterilizada.

4. A história de Ryan White – adolescente, portador do vírus HIV, enfrenta dificuldades advindas da sua condição e das interações sociais.

5. Além dos meus olhos – aborda percepções e sentimentos de deficientes visuais. 6. Almas gêmeas – amizade entre duas garotas envolve a fusão e dificuldades de limites.

7. A música e o silêncio – uma jovem é a ponte de comunicação entre os pais surdos e o mundo exterior, em uma pequena cidade do Sul da Alemanha.

8. Ao mestre com carinho – alunos com problemas de aprendizagem se transformam a partir de uma abordagem pedagógica diferenciada.

9. À primeira vista – homem adulto cego recupera a visão após intervenção cirúrgica e precisa aprender a “ver” ou interpretar os estímulos que passa a perceber.

10.A prova – relata experiências e percepções de um homem adulto cego.

11.Asas da liberdade – interação entre adultos jovens com problemas de comportamento e seus familiares.

12.À sombra do piano – mostra a relação problemática de uma mãe, frustrada pela impossibilidade de seguir a carreira artística, com suas filhas, sendo uma delas autista; esboço da diferença entre um possível tratamento hospitalar e a relação familiar com a jovem autista.

13.Borboleta de Zargosk (Série “Os transformadores”) – documentário veiculado pela TV Cultura sobre a escola russa para crianças com deficiências múltiplas, fundamentada nos pressupostos da Psicologia de Vygotsky (produzido pela BBC, Londres, 1989).

14.Cegos, surdos e loucos – um homem surdo que é dono de uma banca de jornal e seu empregado, que é cego, se metem em apuros após uma tentativa de assassinato ocorrer perto do local em que trabalham.

15.Código para o inferno – um garoto autista de nove anos consegue decifrar códigos secretos de uma instituição de segurança que procura eliminá-lo.

16.Conrack – desafios e desempenho de um professor em uma comunidade distanciada da cultura urbana e letrada, com alunos considerados “problemas”.

17.Dominick e Eugene – trata do relacionamento entre dois irmãos e dos estereótipos sobre a deficiência mental.

18.Encontrando Forrester – relacionamento de um jovem com seu ídolo esportivo, que teve impacto marcante em sua história de vida (EUA, 2000).

19.Experimentando a vida – aos 28 anos Molly, que é autista, volta a viver com seu atarefado irmão, após deixar a instituição onde morava. A relação entre os dois é difícil, até que Molly aceita submeter-se a um tratamento revolucionário.

20.Feliz Ano Velho – caso de deficiência física adquirida em que são externadas as percepções mais subjetivas de seu portador. Enfoca a superação da negação e da depressão, causadas pela perda de mobilidade e da autonomia do paraplégico.

21.Filhos do Silencio – apresentação de comportamentos, interações e possibilidades de adultos com deficiência auditiva.

22.Forest Gump – homem relata sua história, levando-nos a questionar a deficiência mental.

23.Gênio indomável – rapaz com bom desempenho em matemática enfrenta adversidades e busca organizar sua vida.

24.Gilbert Grape – aprendiz de sonhador – rapaz cuida do irmão com deficiência mental. O filme mostra algumas dificuldades dos familiares e da pessoa com deficiência mental.

25.Janelas da Alma – documentário brasileiro com depoimentos de portadores de deficiências visuais.26.Johnny vai à guerra – sensações e pensamentos de um jovem mutilado pela guerra, que se encontra hospitalizado, sem ver, ouvir, falar u se mover.

27.Lágrimas do silêncio – relata um caso de deficiência auditiva adquirida em uma jovem atriz de teatro.

28.Loucos de amor – um jovem com uma espécie de autismo se apaixona por uma mulher que tem o mesmo problema e que freqüenta seu grupo de ajuda. Ele gosta e precisa seguir um padrão em sua vida, para que possa levá-la de forma normal. Entretanto ao conhecer Isabelle em seu grupo de ajuda tudo muda em sua vida, por estar apaixonado por ela.

29.Mentes perigosas – alunos de gueto americano, estigmatizados pelo racismo e com condutas hostis e agressivas, encontram formas diferenciadas de interação com uma professora de literatura.

30.Mentes que brilham – garoto com talentos especiais e excelente desempenho escolar vai para a universidade e convive com adultos, vivenciando conflitos.

31.Meu filho meu mundo – comovente e delicada história de um casal que luta para tratar de seu filho autista, apesar dos diagnósticos médicos desfavoráveis.

32.Meu mestre, minha vida – escola envolvida com violência, tráfico de drogas e racismo passa a ser o desafio de um novo diretor.

33.Meu nome é rádio – história verídica de um jovem americano com deficiência mental que se tornou famoso no mundo dos esportes; ênfase nos relacionamentos interpessoais e nas mediações de seus instrutores.

34.Meu pé esquerdo – caso de paralisia cerebral em que o portador de necessidades especiais se torna uma figura central na estrutura familiar. Enfoca interações familiares e sociais, além de atendimentos especializados pelos quais passa o sujeito.

35.Mr. Holland, adorável professor – músico torna-se professor e, posteriormente, pai de um garoto surdo. Mostra as dificuldades de comunicação entre um pai ouvinte e um filho surdo.

36.Nascido em 4 de julho – soldado retorna paralítico da Guerra do Vietnã. Questionamento da guerra.

37.NELL – isolamento social: jovem, encontrada vivendo afastada da cidade, tem comportamentos inesperados após interações sociais.

38.O amor é cego – visão cômica sobre os valores sociais e as dificuldades com as diferenças.

39.O encantador de cavalos – adolescente sofre uma amputação após acidente e procura retornar as atividades por meio da equitação.

40.O enigma de Kaspar Hause – trata do isolamento social e da falta de construção de funções básicas do sujeito, com ênfase nas relações entre linguagem e pensamento. Baseado em relato histórico do preceptor de Kaspar Hause, de 1832, na Alemanha.

41.O filho da noiva – relações familiares em torno de uma mulher com problemas de memória.

42.O milagre de Anne Sullivan – história de Helen Keller, caso real de jovem com deficiências múltiplas, e sua interação com a educadora Anne Sullivan.

43.O oitavo dia – mostra a sensibilidade e a afetividade de um jovem com síndrome de Down e as alterações que as suas capacidades provocam nos outros.

44.O óleo de Lorenzo – pais procuram descobrir acura para seu filho, portador de uma doença rara: a adrenoleucodistrofia (ADN).

45.Os segredos de Adam – garoto autista apresenta comportamentos intrigantes.

46.Os melhores dias de nossas vidas – Rory é um jovem rebelde, bem humorado, que fala o que pensa, não liga para as convenções sociais, nem para nada, nem para ninguém. Seu oposto é Michael, que sempre levou uma vida completamente sem graça e enfadonha. Estas duas pessoas tão diferentes têm em comum a deficiência. Rory é tetraplégico e Michael tem paralisia cerebral. Descontentes com as “regras da vida”, estes dois amigos inusitados planejam deixar a instituição onde estão internados com a ajuda de Siobhan para que eles finalmente atinjam seus objetivos: viver a vida em toda a sua intensidade.

47.Os pais dos surdos – a que se assemelha o mundo para milhões de pessoas que, desde seu nascimento, vivem no silêncio? O filme nos faz penetrar e descobrir esse país longínquo, reinado pelos sistemas de comunicação específicos, onde tudo passa pelo olhar e pelo toque.

48.Perfume de mulher – apresentação de comportamentos e possibilidades de adulto com deficiência visual.

49.Ray Man – exposição dos comportamentos e possibilidades de um adulto com a síndrome do autismo.

50.Meu filho, meu mundo – intervenções intuitivas de uma mãe, a partir de seu relacionamento com o filho autista.

51.Sempre amigos – pessoas muito diferentes que descobrem possibilidades de boa interação.

52.Shine – brilhante – um jovem talentoso na música precisa enfrentar o pai dominador e seus próprios problemas psicológicos em busca da perfeição.

53.Simples como amar – uma garota com problemas mentais arranja um namorado. O relacionamento é desaprovado por sua mãe protetora, o que faz com que a garota queira cada vez mais liberdade em sua vida.54.Stanley e Ìris – homem adulto enfrenta dificuldades por ser analfabeto.

55.Tempo de despertar – médico se envolve se envolve na investigação de uma doença (encefalite), que altera o comportamento dos sujeitos, e se dedica ao acompanhamento experimental de intervenções terapêuticas. Baseado na obra do neurologista Oliver Sacks.

56.Tortura silenciosa – uma professora de educação física surda não percebe quando um de seus alunos esconde uma moeda, rara e roubada, em sua bolsa. Logo depois, o rapaz morre na explosão de seu carro e um policial corrupto (Sheen), que sabia do roubo, começa a persegui-la, tentando reaver a moeda. Desesperada, a professora pede a ajuda a um amigo do aluno morto, que passa a protegê-la e decide denunciar o caso ao F.B.I.

57.Uma janela para o céu I e II – baseado na história real de Jill Kinmont, trata-se de história passada em 1955, quando a jovem Jill, então com 18 anos de idade, revela-se um enorme talento para o esqui e aposta certa para vencer os Jogos Olímpicos de Inverno de 1956. Mas acontece uma fatalidade: Jill por pouco não perde a vida após uma queda brutal na neve, mas fica paralisada do pescoço para baixo. Ainda que esteja impedida de praticar esportes para sempre, Jill agora tem uma outra batalha: viver e conviver com sua deficiência. Para isso ela vai contar com a ajuda de amigos, dos pais e parentes.

58.Uma lição de amor – homem com deficiência mental luta na justiça pela guarda da filha.

59.Uma mente brilhante – homem com excelente desempenho em matemática apresenta problemas mentais.

60.Mar adentro – Ramón era um mecânico de barcos que aos 20 anos já dava a volta ao mundo e aos 26, num mergulho em águas rasas, tornou-se tetraplégico e instalou-se para sempre numa cama, entre as quatro paredes torturantes de seu quarto. Luta na justiça para legalizar a eutanásia e finalmente poder “morrer com dignidade”.

* Material elaborado por Sônia Bertoni em dezembro de 2009.