Associação Livre

Arquivo para o Mês: April 2010

Podcast Episódio 03 – Pesquisa Narrativa

Por Aline Sieiro em 30/04/2010 00:04

Eu e a Prof. Dilma Mello conversamos sobre Pesquisa Narrativa, e comentamos um pouco as semelhanças com as noções de Subjetividade e Psicanálise. Falamos um pouco também sobre formação de professores.

Narrative Inquiry – Clandinin & Connelly

Indignação do dia

Por Aline Sieiro em 29/04/2010 15:53

Acabei de ler isso, e não pude deixar de responder. As pessoas precisam ser um pouco mais profundas em suas supostas análises críticas.

Minha pequena resposta:

Pra criticar, é preciso saber muito do que se critica, porque senão corre-se o risco de falar muita bobagem em relação ao assunto. Bobagens escondidas em forma de uma suposta crítica.

Leia “Em defesa da Psicanálise – E. Roudinesco” e saiba porque os dois livros passaram longe de criticar a psicanálise, e sim criar um movimento anti-piscanálise. E querer falar de como a Psicanálise não está presente nos currículos no Estados Unidos, é querer insinuar que os Estados Unidos é determinante cultural e educacional para o resto do mundo, é no mínimo pequeno demais, pra não dizer irreal. Os Estados Unidos sempre foi modelo para tecnologia e farmacologia, mas o mesmo não se diz para a área da Educação. Não só no Brasil, mas em toda Europa e Canadá, entre outras, essas sim referência na Educação, continuam estudando a psicanálise, e seus efeitos continuam ecoando.

É triste perceber que ainda existem pessoas que acreditam na existência de uma verdade absoluta, que pode ser mensurada e provada por testes e experimentações. Não é a toa que o mundo farmacológico “cresce” criando pílulas para doenças que nem existem. Afinal, em tempos de capitalismo (modelo vendido pelos EUA), tudo se resume a produto e resultado, e para isso temos que tirar o direito do sujeito a ter “um inconsciente, pois precisa virar escravo de seus neurônios e de sua cognição, perdendo sua posição de sujeito e as possibilidades de escolha. É sempre viver anestesiado por remédios” (Roudinesco, 2010)

E, para esclarecer, a Psicanálise não quer e nunca quis ser essa ciência experimental e positivista. E as pessoas ainda se aproveitam da transparência de Freud nos seus trabalhos para recortar somente o que interessa para fazer parecer que as pesquisas nunca tiveram metodologia. Como eu falei logo no começo, até pra criticar precisamos entender um pouco do que estamos falando.

Podcast Edição Especial – Palestra Educação e Sexualidade

Por Aline Sieiro em 29/04/2010 00:52

Esta semana ministrei uma palestra na Universidade Federal de Uberlândia, a convite do PET-Letras. Essa palestra foi gravada, e agora disponibilizo ela para todos que tiverem interesse no tema.

Abaixo colocarei os links de vídeos e textos que foram comentados durante a palestra, para que vocês possam acompanhar a discussão. Quem estava na palestra, e tiver interesse no apresentação em Power Point, me envie um email, ou deixe um comentário com seu email, que enviarei assim que possível.

Na palestra, com o título “Sexualidade na Sala de Aula: para além de um currículo biologizante”, discuti a noção de sexualidade, com base teórica da Psicanálise, e como podemos abordar o tema dentro de um meio escolar/acadêmico. Na primeira hora fiz essa introdução a noção de sexualidade proposta pela psicanálise, e como abordar o assunto de forma tranquila e cotidiana, mas também com uma proposta singular, no qual cada um é convidado a pensar e discutir suas próprias experiências com a sexualidade. No segundo momento, algumas perguntas foram feitas, e abri um diálogo com os presentes para discutí-las.

Trechos de filmes discutidos:

Kinsey – Vamos falar de Sexo

Me and you and everyone we know – Eu, você e todos nós

Referências de Pesquisas e Livros:

S. Freud – Três Ensaios sobre a teoria da Sexualidade

J. Lacan – Seminário 20 – Mais ainda

E. Roudinesco – Em defesa da Psicanálise

L. Garcia-Roza – Freud e o Inconsciente

N. Novena – A sexualidade na organização escolar

A. Morgado – Jovens, sexualidade e educação: homossexualidade no espaço escolar

Algumas Indicação de filmes e leitura:

Sexualidade começa na infância – Maria C. P. da Silva

Corpo, Gênero e Sexualidade: para além de educar meninos e meninas

C.R.A.Z.Y

Hounddog

Le Petit Nicolas

Savage Grace

Kids

Skins (Série de Tv)

Tell me you love me (Série de Tv)

Palestra na Universidade Federal de Uberlândia

Por Aline Sieiro em 27/04/2010 23:23

Aconteceu hoje a palestra ministrada por mim, na UFU, sobre o tema Sexualidade na Sala de aula: para além de um currículo biologizante.

Vou publicar aqui, ainda esta semana, o material usado na palestra, bem como as indicações de bibliografia e filmes sobre o tema, que foram comentados durante a palestra.

Agradeço a presença de todos, e como comentei na palestra, o espaço aqui está aberto para continuarmos nossa conversa. (Não só para que estava presente, mas também para todos os interessados no tema.)

Clínica da Ansiedade – Atendimento Gratuito

Por Aline Sieiro em 09/04/2010 16:02

Clínica da Ansiedade é o resultado de um projeto clínico orientado pela psicanálise, que oferece atendimento gratuito e com duração determinada.

Orienta-se pelo princípio de que a psicanálise pode responder a diversas situações de sofrimento, ainda que não haja uma demanda e a oferta de um tratamento analítico stricto sensu. Este projeto, sustentado coletivamente por psicanalistas vinculados à Escola Brasileira de Psicanálise e ao CLIN-a, propõe um espaço de acolhimento às diversas manifestações do mal-estar na contemporaneidade e visa possibilitar uma nova relação do sujeito com seu sintoma ou sofrimento.

O atendimento é oferecido por um período de seis meses, após o qual decide-se por uma conclusão ou, no caso de outra demanda ter sido articulada, um novo tratamento.

A quem se destina: dirige-se à comunidade em geral e especialmente àqueles que não têm acesso ou que não procurariam um atendimento psicanalítico.

Acolhimento: o acolhimento inicial é realizado às segundas e quartas-feiras, no horário das 9h às 12h. Os interessados podem dirigir-se à Clínica nestes dias e horários; não é necessário agendamento prévio.

Atividades de atendimento: as atividades ocorrem em grupo e são coordenadas por psicanalistas. Este dispositivo coletivo orienta-se pelo princípio de que a psicanálise aplicada à terapêutica pode responder diferentemente de outras psicoterapias, ao visar os efeitos advindos da restituição da palavra ao sujeito e ao particular de cada um.

Horários das atividades de atendimento: s e 4ªs-feiras das 9h às 12h

Equipe de Atendimento

Angelina Harari

Alessandra Pecêgo

Christiane Carlier

Luiz Fernando Carrijo da Cunha

Milena Crastelo

Mônica Bueno de Camargo

Patrícia Badari

Rômulo Ferreira da Silva

Teresinha Meirelles

Coordenação: Patrícia Badari

Local de funcionamento:

Rua Prof. Ernest Marcus, 91

Pacaembu – São Paulo – SP

CEP: 05002-000

Informações:

Secretaria do CLIN-a: 2ª a 6ª das 9:00 às 18:00

fone: (11) 3675-7689

clinica@clin-a.com.br

Sexualidade na sala de aula: para além de um currículo biologizante

Por Aline Sieiro em 08/04/2010 22:51

Sexualidade na sala de aula: para além de um currículo biologizante

Aline Accioly Sieiro

Psicóloga e Psicanalista

A sexualidade e suas manifestações sempre obedeceram a regras, rituais e cerimônias. Mas, por que algo tão essencialmente humano como a sexualidade foi interditada, impedida, normatizada e controlada? Especificamente, na organização escolar, por que as manifestações da sexualidade são percebidas de maneira perturbadora e aterrorizadora, a ponto de requererem uma intervenção através da repressão, com vistas a domesticar o desejo? Esta apresentação tem como objetivo discutir essas questões considerando sua complexidade no espaço da escola/sala de aula. Toda a discussão proposta tem como base os fundamentos da Psicanálise sobre inconsciente  e desejo, conforme Freud (1905) e Lacan (1980-1985).


Dia 27 de abril, das 15 às 17h, no bloco 3 Q, sala a confirmar.

Inscrições no Pet/Letras

Universidade Federal de Uberlândia

petletrasdaufu@gmail.com

Um outro olhar para a pedofilia

Por Aline Sieiro em 05/04/2010 18:50

Tudo que se fala nesse momento é sobre a pedofilia e os padres da igreja católica. E eu (assim como Calligaris e Eliane Brum), ainda acho que  o foco está sempre errado quando se trata to assunto.

Escutei essa semana que deviam cortar o pênis de quem era pedófilo, só assim para resolver a questão. Se engana quem pensa que isso resolveria, porque, entre tantas outras coisas, a pedofilia não está ligada ao órgão sexual.

Mas hoje li dois textos que conseguem sintetizar tudo que eu penso e sempre pensei sobre a pedofilia. Por isso compartilho aqui com vocês. E abro o espaço para discussão, já que esse assunto nunca é fácil de discutir.

O primeiro deles é do Contardo Calligaris, psicanalista. (Para ler o texto inteiro, clique no trecho abaixo)

“Fantasias e orientações sexuais nunca são o efeito de acumulação de energia sexual insatisfeita. Um pedófilo poderá, eventualmente, desejar uma mulher e casar com ela, mas o fato de cumprir, mesmo com afinco, o dever conjugal não o livrará das fantasias pedofílicas. Teremos, simplesmente, pedófilos casados, em vez de solteiros.”

O segundo é da jornalista Elaine Brum. (Para ler o texto inteiro, clique no trecho abaixo)

“Encontrei abusadores despedaçados pelo que tinham feito – e pelo que tinham vontade de continuar fazendo. Fora a cadeia, não havia nada para impedi-los de seguir abusando. E alguns deles queriam ser impedidos. A prisão impede de abusar, mas sem ajuda e tratamento, é muito difícil não reincidir quando saem dela. Se a estrutura de assistência às vítimas de abuso sexual é precária, para abusadores ela é quase nula. 

É bem difícil olhar com compaixão para um homem ou mulher que usou de sua autoridade e poder para abusar sexualmente de uma criança. E gozou exatamente deste poder total sobre a vítima, inteiramente submetida ao seu desejo. Mas acho que precisamos tentar. Lembro de ter ficado em conflito com meus sentimentos. Porque nos casos em que foi possível, eu escutava a dor de ambos – da vítima e de quem a violou. Em alguns casos, ambos sofriam de forma atroz. Não se trata de relativizar a responsabilidade de quem abusa. Estou apenas apontando que pode existir sofrimento neste percurso – e não apenas bestialidade, ainda que a bestialidade seja sempre humana.”

Update: Uma entrevista da Eliana Brum fez com a socióloga Regina Soares, sobre o abuso de padres com mulheres.

“Essa idéia de que o padre é imune ao desejo é muito forte. A Igreja faz a negação da sexualidade.”

Update 2: E depois de tanta bobagem que a igreja faz, tem mais. Agora eles dizem que a pedofilia é relacionada a homossexualidade. Que ótimo saber que eles só caminham pro lado errado.