Associação Livre

Arquivo para o Dia: 28/02/2008

Minha teoria

Por Aline Sieiro em 28/02/2008 17:00

Quem sou eu pra ter teorias sobre as coisas, mas lá vou arriscar meu palpite.

Acho que os adultos andam mais infelizes principalmente por causa da tal “liberdade”. Esse momento em que a tecnologia nos liberou de diversos padrões de comportamentos, nos mostrando que nem sempre o que era uma regra precisava ser, mexe mais com a geração que viveu isso diretamente. Explico melhor. Antes, você crescia pensando que tinha que fazer algo por sua vida, para garantir o futuro. Para isso eles aprenderam que tinha que trabalhar, ter uma carreira e ganhar dinheiro. Para isso nem sempre faziam o que gostavam de fazer, as vezes nem sabiam do que gostavam. Dizia-se também que era necessário constituir familia, em determinado momento da vida, já que uma pessoa precisava continuar seu legado, com uma esposa e filhos. (Será?)

Dai veio a modernidade, a tecnologia e a quebra de paradigmas. Nego pode ter trinta anos e ainda não ter se decidido por uma carreira, e dai? A pessoa pode ter seus trinta e poucos anos e ainda não pensar em garantir futuro, ela quer viver o agora e pronto. Quem disse que as pessoas precisam casar e ter filhos? Pra ter filhos não é preciso casar, e se a pessoa quiser morrer solteira, ela que o faça, ele não precisa ter ninguem pra caminhar com ela, ela pode muito bem caminhar sozinha se assim o desejar. Com tanta liberdade, o que acontece com nossos quarentões e sessentões?

1. Eles olham tudo que construiram, dinheiro, carreira, familia, e não sabem o que fazer com isso. O dinheiro não tem sentido, tanto dinheiro mas não sabem gasta-lo, porque aprenderam que o dinheiro tinha que ser ganhado e guardado. (Pra que, pra morte, pros filhos? Eles que façam seus proprios dinheiros!!!) A carreira, em 70% dos casos, se torna um fardo, porque eles não veem sentido em continuar fazendo algo que nunca gostaram ou que não são mais valorizados pela idade (avançada, quando se trata de mundo profissional, eles podem ser bem cruéis). A familia, cada um segue seu caminho, os filhos fazem coisas que eles jamais pensaram que podia fazer quando jovens, e fica uma mistura de pudor moral, vergonha, e também de inveja.

Nesses casos, eles tem várias saidas, mas muitos não tem coragem de mudar depois de tantos anos vivendo do mesmo jeito. E dai ficam doentes mais cedo, desenvolvem mil e quinhentas psicossomáticas, atazanam a vida dos filhos, reclamam de tudo. Ou procuram os remedios. Mas poderiam muito bem largar tudo e começar de novo, abrir uma empresa, descobrir algo que gostam e voltar a estudar, pegar o dinheiro e viajar. Alguns conseguem fazer isso e vivem bem, mas infelizmente a maioria não.

2. Alguns veem a liberdade que tem e dai se afundam nela. Voltam a ser adolescentes, e vivem aquilo que não puderam viver em suas épocas. As mulheres usam todos os cosméticos e cirurgias possiveis, trocam seus guarda-roupas, se enfiam no consumismo do nosso capitalismo, passam a sair de balada, se separam de seus maridos, mudam tudo, a vida vira uma festa. Os homens vão pra academia, malham pra ficar bombados, compram carros esportivos e saem paquerando menininhas de 18 anos (quando não de 16 no Brasil…). Se separam e começam a namorar a mais novinha gatinha do pedaço. Saem de balada e exibem seus corpos, carros e dinheiro. Alguns entram numa banda de música pra mostrar como são descolados. Outros compram todos os aparelhos tecnologios mais modernos, e equipam a casa com coisas que nem conseguirão usar.

Isso melhora a sensação anterior? Nem sempre. Em parte porque continuam se sentindo um pouco deslocados em relação a sociedade, a familia e aos colegas de trabalho. E porque nada disso tampona um fato: eles já são adultos, não importa o quanto tentem viver o que não viveram, isso não é possivel. Eles podem viver novas experiencias, mas as do passada jamais serão revividas. E, geralmente depois do auge disso, vem a tristeza, a sensação de desconforto, de não pertencer aos papeis que a vida exigem que ele viva, entre outras coisas.

Pra mim, é por isso que o suicido aumentou dessa faixa dos 40 aos 60. Porque o encontro com a vazio ficou mais evidente. Porque a vontade de entender o sentido da vida por ela mesmo fica frente a frente com eles, pedindo uma resposta, uma solução? Como viver o que nao vivi, como mudar o que não quero mais?

Se o sujeito se conforma e nada muda porque tem medo, ou porque nao sabe como mudar, deprime. Se o sujeito joga tudo pro alto e faz a festa, deprime quando volta pra casa, e sozinho, não se sente confortável consigo mesmo. Então, como fazer?

Cada um encontra sua resposta, não existe uma fórmula mágica. Mas o segredo de tudo na vida, é ter paciencia consigo mesmo, aprender a se perdoar, aprender a se dar a chance de tentar. Com calma o sujeito pode tentar se redescobrir e aos poucos se retirando desse lugar estereótipado, seja ele qual for. E nós, fruto da geração tecnologia devemos prestar mais atenção neles, tentar ajudá-los a se achar, seja conversando, seja parando de nos colocar como os filhos, netos chatos que só criticam ou ridicularizam. Nós podemos ajudá-los a achar o meio termo frente a tanta liberdade (falsa liberdade, por vezes, mas ainda sim liberdade de ser o que quiser ser).

Ainda dos outros

Por Aline Sieiro em 28/02/2008 16:35

Nos últimos anos, subiu o índice de suicídio na população entre 40 e 64 anos. Por quê?

Em 2004, nos EUA, 32 mil mortes foram oficialmente atribuídas a suicídio. Ampliando a faixa da meia-idade, constata-se que, dessas mortes, mais de 14 mil são de pessoas entre 40 e 64 anos. Segundo o “New York Times”, o fenômeno não seria apenas americano: um estudo recente aponta que, em 80 países, as pessoas de meia-idade são as menos “felizes”. As explicações são hipotéticas.
Por exemplo, no que concerne às mulheres, desde 2002, diminuiu fortemente o uso da reposição hormonal na menopausa. Talvez o déficit de estrógeno tenha efeitos depressivos diretos ou indiretos.
Também observa-se que pessoas de meia-idade são grandes consumidoras de antidepressivos. Talvez um uso vacilante dessa medicação (com interrupções brutais sem acompanhamento psiquiátrico) seja responsável por momentos de aflição irresistível. Mas é mais provável que, no caso, o consumo de antidepressivos seja apenas prova suplementar de que as pessoas dessa idade são especialmente “vulneráveis”.
Em suma, resta a pergunta: o que acontece, entre os 40 e os 64, que levaria ao suicídio mais indivíduos do que em outras faixas etárias?
Sabemos que as adversidades desesperam os adolescentes porque eles têm dificuldade em enxergar um futuro possivelmente diferente.
E imaginamos com facilidade que as enfermidades e o sentimento do fim que se aproxima possam levar alguns idosos a precipitar o desfecho. Mas adultos na plena força da vida?
É claro, a meia-idade é a época em que os executivos que perdem seu emprego ficam no limbo -demasiado qualificados e já “velhos” para retomar sua carreira. Mas, nos exemplos trazidos pelo “New York Times”, os suicidas de meia-idade não parecem ser vítimas de crises profissionais.
Algumas observações:
1) Nas últimas décadas, mesmo nas fileiras de quem acredita em Deus ou na revolução futura, vem se impondo a vontade (ou a necessidade) de justificar a vida “por ela mesma”. As aspas servem aqui para lembrar que ninguém sabe o que isso significa. Alguns pensam nos prazeres que eles se permitem, outros na satisfação de serem úteis ao próximo, outros ainda avaliam a qualidade estética de sua história ou valorizam a variedade e a intensidade de suas experiências. Seja como for, a vida deveria valer a pena pelo que a gente faz, pela própria experiência de viver.
2) Acrescente-se que, a partir dos anos 60, os adultos de nossa cultura começaram a se preocupar com a adolescência -ou seja, entre outras coisas, passaram a querer furiosamente que suas crianças se preparassem para elas serem “felizes” um dia (em todos os sentidos: sucesso amoroso e financeiro, êxtase, bom humor permanente).
3) Chegam hoje à meia-idade as gerações que cresceram esperando uma “felicidade” que daria sentido à longa “preparação” de sua adolescência e convencidas de que a vida deve se justificar por ela mesma. Os que fracassaram têm sorte: eles podem se dizer que a coisa não deu certo. Os que se acham bem-sucedidos esbarram, inevitavelmente, numa questão inquietante: “Então, é isso? Era só isso?”.
Estreou na sexta passada “Antes de Partir”, de Rob Reiner, com Jack Nicholson e Morgan Freeman. É a história de dois homens que aprendem que eles têm seis meses de vida, escrevem uma lista das coisas que gostariam de fazer antes de morrer e saem pelo mundo afora. Alguns críticos adoraram, outros acharam que os atores não salvam um roteiro em que as últimas vontades dos protagonistas parecem oscilar entre a obviedade (beijar a moça mais linda, pular de pára-quedas, fazer um safári) e a pieguice (reencontrar os que a gente ama de verdade, causar alegria na vida dos outros etc.).
Para mim, é a própria trivialidade da lista dos dois amigos que faz o charme do filme. Na hora de bater as botas, diante da pergunta “Que mais poderia ter sido minha vida?”, é tocante constatar que, no fundo, gostaríamos que tivesse sido mais do mesmo.

by Calligaris

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2802200832.htm

Ainda sobre o mesmo

Por Aline Sieiro em 28/02/2008 16:14

Por favor, reservem dez minutos do seu dia, sem preguiça, e dêem uma olhada nesse maravilhoso texto do Zeca Camargo. Alias, o blog dele é sempre interessante, e, pra os que não tem preguiça de ler, vale a pena conferir toda segunda e quinta.

http://colunas.g1.com.br/zecacamargo/

A ausência da própria nela mesma

Postado por Zeca Camargo em 28 de Fevereiro de 2008 às 11:09

Uma das coisas que mais me incomodam em televisão é a ausência da própria nela mesma. Parece estranho, mas foi a melhor maneira que encontrei para dizer que é raro ver a televisão retratada nos produtos que ela exibe.

Descontando os comerciais de varejo (tela de plasma em 212 prestações!), me diga rapidamente quando você viu a própria TV aparecer na trama de uma novela ou seriado – ou mesmo num cenário? Não está fácil de lembrar, garanto. A não ser que você esteja assistindo a minissérie “Queridos amigos” – e mesmo assim, você vai ter que prestar muita atenção.

Digo isso porque comentei com várias pessoas que também estão acompanhando a série – ou, pelo menos tentando – e poucas foram as que captaram um pequeno momento histórico da TV. Era uma cena simples, que poderia mesmo ter passado despercebida, não fosse uma frase dita displicentemente por um personagem. Um adolescente entra na sala onde a família está reunida em frente à televisão e diz: “Vocês precisam mesmo ver isso?”.

Se você já teve dificuldade em responder àquela pergunta do primeiro parágrafo, essa então vai ser ainda mais complicada: você se lembra de alguma cena em algum programa exibido pela televisão onde alguém fala mal dela? Não, não se lembra – e se quiser me contrariar, fique à vontade para mandar seu comentário…

Há uma semana, num inocente post sobre a “arte do remix”, comentei rapidamente que, ao ver “Queridos amigos”, tinha tido a sensação de que minha TV aberta tinha se transformado numa HBO. Se você tivesse a noção de quantas brigas eu arrumei por conta disso! Não as discussões óbvias – e se você também é da brigada pró-conspiração que acha que eu tenho de fazer elogio a essa minissérie só porque trabalho na mesma emissora em que ela é exibida, pode parar sua leitura por aqui e começar a escrever no seu próprio blog a última “denúncia” que você descobriu contra mim (e não deixe de me mandar o link!). Me refiro a argumentos de amigos a quem tenho em boa conta e pessoas cuja opinião eu respeito muito – todos indignados por eu ter dito alguma coisa positiva de um trabalho que todo mundo está detonando.

De fato, está sendo difícil “defender” a minissérie. Eu mesmo, recruta voluntário do exército de Martin Amis na sua “guerra contra o clichê” (um livro muito interessante, desse que é um dos meus autores favoritos – mas que infelizmente ainda não foi traduzido para o Brasil), reluto em ser admirador de uma narrativa que se sustenta em solilóquios do tipo “a beleza da vida está em encontrar a luz nos olhos de quem se ama”… (admito, uma frase como essa nunca saiu da boca de um dos personagens da minissérie – nem mesmo da do Léo! Mas você entendeu o espírito…).

Quem sobrevive a essas turbulências (tarefa árdua) consegue ver alguma coisa de diferente – e boa – em “Queridos amigos”. Como – retomando – um personagem que fala descaradamente mal da TV, na própria TV. Para mim, isso é tão revolucionário quanto Sonia Braga, no papel principal da novela “Gabriela” (1975), subindo num telhado para pegar uma pipa. A falta de referências sobre esse veículo dentro do próprio veículo é algo com que nós convivemos há tanto tempo que mal nos damos conta. Para um país que consome TV como o nosso (aliás, qual cultura não a consome avidamente?), essa ausência chega a ser surreal. Mencionei isso lá em cima brincando, mas agora pense para valer: qual é o cenário de novela em que uma TV faz parte da decoração de uma casa – e ainda por cima é referência em alguma conversa? (Manoel Carlos, é verdade, pincela uma televisão aqui e ali nos seus dramas cotidianos – mas são, convenhamos, tímidas aparições.)

Não precisa me lembrar que, se os personagens de alguma cena estão assistindo TV, elas não estão (justamente) conversando – e que novela é diálogo… Mas simplesmente varrer da história um aparelho que faz parte do nosso cotidiano é, no mínimo curioso.

Essa lacuna não está apenas nos cenários. Talvez para evitar a armadilha da auto-referência, ela está fora de quase toda a dramaturgia (descontando-se, claro, os programas de humor que, do outro lado do espectro, praticamente tiram toda sua inspiração da televisão). Só para dar um exemplo, cito uma ótima novela do nunca menos que genial Gilberto Braga (e se você está achando que o elogio é gratuito, apenas para equilibrar minha discussão aqui, confira o post que na época da estréia de “Paraíso tropical”). Estou falando de “Celebridade” – uma história cuja trama propunha uma discussão sobre o fascínio do mundo da fama, mas que retratava essas pessoas famosas sempre como cantores, atletas e socialites, mas raramente como pessoas de um grupo que é simplesmente a maior “fábrica de celebridades” do nosso cotidiano: artistas de TV.

Como não escrevo (ainda…) ficção, só posso imaginar as dificuldades de incluir o universo da TV nas histórias que ela mesma vai contar. Quando ela aparece, geralmente é porque a trama precisa “dar uma notícia” – e, sendo assim, o programa assistido é invariavelmente um telejornal. Não foi diferente na cena que vi da minissérie (onde, aliás, as informações – em clipes reais – ajudam a dar o contexto da época em que se passa a história, 1989). Mas isso não tira o impacto da frase que o garoto disse em “Queridos amigos”.

Aliás, é uma pena que os lugares-comuns reconfortantes estejam espantando aqueles que procuravam uma história interessante. Sim, porque a história interessante – ainda que longe de original (homem com a saúde condenada reúne velhos amigos para um reencontro? Ora… você já viu esse filme!). E o protesto daquele personagem contra o ato de assistir TV não é a única frase forte dita pelos personagens da minissérie.

Apenas no capítulo de ontem (quarta-feira), colecionei alguns momentos que, como já mencionei, você não vê toda hora na TV aberta – aliás, você não os vê nunca na TV aberta… Por exemplo, os filhos gêmeos de Raquel (Maria Luiza Mendonça) – idade aproximada, 8 anos – reclamam para a mãe que o irmão mais velho chamou eles de “pentelho”. Lena (Débora Bloch) diz, com a maior naturalidade, que Léo (Dan Stulbach), num determinado momento, estava “chapado”. Benny (Guilherme Weber) joga displicentemente para Tito (Matheus Nachtergaele): “Meu pai me violentou quando eu tinha 10 anos”. E, enquanto o telespectador ainda se recuperava dessa confissão, o namorado de Benny, Jurandir (Sidney Santiago) declarava ao filho adolescente de Tito, numa sala do sebo onde a cena transcorria: “Eu vou ser o Van Damme negro e bicha”. E ainda teve a descrição de Bia (Denise Fraga) de como ela era estuprada repetidamente na prisão.

É por esses momentos – que eu chamaria de corajosos – que eu vou continuar assistindo “Queridos amigos” – sob os olhos reprovadores de amigos e (possíveis ex) admiradores. Por isso e, claro, pelas excelentes atuações da maioria do elenco (pode incluir nessa lista todos os que eu citei nas cenas acima e mais alguns atores e atrizes cujo trabalho eu não conhecia bem e que estão ótimos, como Joelson Medeiros, Malu Galli e Odilon Esteves – que faz nada menos do que o papel de um travesti). Mesmo com todo o didatismo em excesso (justificado – ainda que não suficientemente – pela necessidade de dar a um público que não viveu essa época, um contexto maior para a história). E mesmo com todas as frases feitas.

Hei de sobreviver tudo isso com a coragem cálida de quem nunca quis que seu coração indômito se calasse… (ai!)

Categorias: Geral 1 Comentário

Queridos amigos

Por Aline Sieiro em 28/02/2008 00:21

Se toda novela ou série do Brasil tivesse a qualidade que estou apreciando em Queridos Amigos, eu ia me ferrar, porque ia quere ver televisão o tempo todo. E olha que já quero, pra quem tem perfil no Organgotag.com pode ver lá o meu vicio por séries e afins.

Mas, falando de Queridos Amigos, tudo cai bem. O tema, já que sou facinada pelos anos oitenta e por toda aquela juventude do tempo da ditadura. A escolha dos atores não poderia ter sido melhor, gente de primeiro naipe com papéis também muito bem escritos, desenvolvidos e trabalhados.

Devo confessar que a personagem que mais me chama atenção é do da Denise Fraga. Bia, astróloga, sofre tentando ano após ano, esquecer os sofrimentos da tortura que sofreu na época em que foi presa política. O que me chama atenção, primeiro é a atuação da Denise, que passou muito tempo fazendo comédia, e hoje encarna este papel dramático como ninguém. Quando ela aparece, podemos captar no seu olhar o sofrer da Bia, e por uns minutos esquecemos que ela é Denise, e não Bia. Em segundo lugar, a personagem é profunda pois mostra a densidade do sofrimento de alguém que se sente capturada por um momento e simplesmente não consegue seguir em frente. Um sofrimento melancólico que assombra tudo que ela possa tentar fazer para seguir em frente. Nada é capaz de faze-la superar o horror das lembranças e dos fantasmas dos tempos terríveis que passou.

A melancolia resultada de um trauma é uma das piores coisas pra se cuidar e tratar em análise. Tive a oportunidade de ter um caso deste naipe, e digo que, em frente a tamanha dor, que nunca passa, nao importa o tempo, fica dificil criar perspectivas e tirar o sujeito desse lugar de dor, desse momento em que se encontra paralisado, como se o mundo não continuasse a girar. É dificil porque, para essas pessoas, o contato com o horror nunca é superado, ele se transforma em melancolia, e muda a forma como o sujeito olha a si mesmo o mundo. Este passa a viver pela perspectiva do horror vivido, e a vida passa a ser só a espera da morte. O sujeito passa a criar coisas pra fazer e se distrair, para esquecer, pelo menos por alguns minutos o que viveu, esperando que a vida passe logo. São pessoas que tentam de tudo, em busca de respostas, porque no fundo nunca entendem o porque tiveram que sofrer tanto. E, como geralmente esse tipo de sofrimento não tem mesmo explicação, pois costumam ser fatalidades, as respostas nunca aparecem, e a pessoa vive na busca de uma luz no fim do tunel, luz essa que nunca chega pra eles.

Mudando de personagem, outro que gosto muito é o Beny, feito por Guilherme Weber. Sempre que pensava nesse ator, só lembrava de papéis bostas que ele tinha feito. Esse, estou tirando o chapeu. Ele está fazendo um gay com uma atuação bem sutil, que aos poucos vai se mostrando mais, sem cair nos estereotipos usuais. Não dá pra sentir raiva das coisas que ele diz, só pena, pena da dor que ele deve sentir pra ser tão amargo.

Eu ficaria aqui mais algumas horas falando dos outros personagens que também me encantam, mas fica aqui a deixa para que vocês fiquem acordados amanha para assistir um pouco.